Os nervos atrofiados,
A coluna partida,
A pele retorcida,
E o coração bombeando o sangue gangrenado,
Minha voz falha entre urros de dor e insensatez.
Ajoelhada, no solo infértil e arenoso,
De braços abertos e olhos marejados
Aguardo o chamado da Santa Muerte.
A coluna partida,
A pele retorcida,
E o coração bombeando o sangue gangrenado,
Minha voz falha entre urros de dor e insensatez.
Ajoelhada, no solo infértil e arenoso,
De braços abertos e olhos marejados
Aguardo o chamado da Santa Muerte.
Pois de que adianta uma alma de artista
Trancafiada a sete chaves,
Entre as costelas de um corpo quebrado,
Em estado de rejeição de cada órgão e espírito.
Trancafiada a sete chaves,
Entre as costelas de um corpo quebrado,
Em estado de rejeição de cada órgão e espírito.
Somente uma mente embriagada consegue aguentar o tranco.
No fundo da garrafa encontro o poder de sentir o absoluto nada.
Um limbo que alivia todas as mágoas,
Até mesmo as que já aprenderam a nadar.
No fundo da garrafa encontro o poder de sentir o absoluto nada.
Um limbo que alivia todas as mágoas,
Até mesmo as que já aprenderam a nadar.
E se meu receptáculo não me traísse com tanto ímpeto,
Quem sabe eu mesma não seria eu.
Incapaz de em linhas reconstruir minha pobre carcaça,
Com a ponta de um pincel e tinta.
Seria este meu fardo?
Ser feliz fisicamente e frustrada espiritualmente?
Quem sabe eu mesma não seria eu.
Incapaz de em linhas reconstruir minha pobre carcaça,
Com a ponta de um pincel e tinta.
Seria este meu fardo?
Ser feliz fisicamente e frustrada espiritualmente?
Com minha desgraça,
Colori o mundo,
Pintei flores e âmagos pulsantes,
Recriei a tristeza recostada em meu peito,
E tive coragem de ser apenas Frida.
Colori o mundo,
Pintei flores e âmagos pulsantes,
Recriei a tristeza recostada em meu peito,
E tive coragem de ser apenas Frida.
