14/12/2015

Marujos e refúgios

Algumas pessoas hão de concordar, outras apenas poderão achar que enlouqueci. Porém, isso não tem importância. A ideia não é de fato agradar, mas sim compartilhar uma teoria vez que outra. Enfim, vamos diretamente ao que interessa, sim?

Para mim, um relacionamento é como um navio tripulado por duas (ou mais, dependendo do caso) pessoas. Assim como existem diversos tipos de navios, existem tripulações variadas. Independente da embarcação, os desafios em alto mar sempre ocorrem e podem danificar o casco, rasgar a vela, quebrar o mastro, soltar o leme, entre outros obstáculos. A única coisa que impede o barquinho de afundar são os reparos feitos ao longo do tempo, o que exige sacrifício e cuidado de todos a bordo, não apenas de um ou de outro marinheiro. As vezes o navio está em tal estado, que fica decretada a sua aposentadoria. Porém, existem barcos novos que na primeira batida contra uma rocha, já afundam, pois um ou os dois tripulantes se agarram nas bóias e pulam ao mar, sem nem ao menos tentar salvar um ao outro, deixando o resto da tripulação a deriva da própria sorte.

Recentemente passei por essa experiência, vendo meu mais novo tripulante jogando-se ao mar quando o barco tinha poucas rachaduras. Ele decidiu me sacrificar pelo seu bem estar. Viu seus amigos todos pulando de seus barquinhos e fez o mesmo sem pestanejar. Fiquei eu sozinha em alto mar, tentando juntar os pedaços quebrados e montar outro navio, aprontando-me para uma nova tripulação. O barco, apesar de parecer intacto, cada vez pesa mais, incapacitado de receber qualquer um a bordo. A dor, a mágoa e a solidão parecem estar ocupando cada centímetro, quase forçando-me a pular também. Tentei arranjar um novo marujo, mas a carga se torna tão grande, que outros seres preferem não se arriscar.

Agora o antigo membro pediu resgate novamente, pois o mar voltou a ser vazio. Mas a está altura, prefiro me arriscar sozinha na imensidão azul, do que voltar a contratar um marujo que foge na primeira tempestade.

03/12/2015

Palpitante

No enlaço de um abraço duradouro,
Meu coração palpita tão veemente,
Que parece irromper por entre minhas costelas,
Tentando incansavelmente alcançar o teu.

Gostaria de compreender este efeito,
Que causas pele adentro,
Que me deixa tão confusa de corpo e alma,
De encarnação a desencarnação. 

Quebra-me?
Não, aquarela-me!
Como se tintas de cores pastéis fossem jorrar de minhas veias,
Transformando o mundo ao meu redor,
Em uma doce e serena obra de arte.

O que me cerca são sorrisos errantes,
Músicas redundantes,
E beijos carmim. 

E novamente minhas costelas suplicam  ao coração que descanse,
Que se aquiete e volte ao ninho,
Pois ele não há de ir a lugar nenhum.


01/12/2015

Quisera

Quisera eu que teus lábios fossem lâminas,
Para afiá-las em meu corpo,
Esfolado a pele carinhosamente
Em beijos escaldantes.

Quisera eu que teu amor fosse fogo,
Queimando minh'alma por inteira,
Consumindo em chamas meu passado infame,
Terminando com os pesadelos,
E trazendo das cinzas a chance de ser feliz.

Quisera eu que fôssemos um só ser,
Uma dríade apaixonada pela própria árvore.
Unidas desde a casca até a raiz
Da copa ao chão em que habitam.

E quem sabe ainda quisera eu que tu me chamasse pelo nome,
Dissesse adeus a teu orgulho,
Admitindo que no fundo tu queria por perto
Tudo o que vês de mais imperfeito em mim.