Algumas pessoas hão de concordar, outras apenas poderão achar que enlouqueci. Porém, isso não tem importância. A ideia não é de fato agradar, mas sim compartilhar uma teoria vez que outra. Enfim, vamos diretamente ao que interessa, sim?
Para mim, um relacionamento é como um navio tripulado por duas (ou mais, dependendo do caso) pessoas. Assim como existem diversos tipos de navios, existem tripulações variadas. Independente da embarcação, os desafios em alto mar sempre ocorrem e podem danificar o casco, rasgar a vela, quebrar o mastro, soltar o leme, entre outros obstáculos. A única coisa que impede o barquinho de afundar são os reparos feitos ao longo do tempo, o que exige sacrifício e cuidado de todos a bordo, não apenas de um ou de outro marinheiro. As vezes o navio está em tal estado, que fica decretada a sua aposentadoria. Porém, existem barcos novos que na primeira batida contra uma rocha, já afundam, pois um ou os dois tripulantes se agarram nas bóias e pulam ao mar, sem nem ao menos tentar salvar um ao outro, deixando o resto da tripulação a deriva da própria sorte.
Recentemente passei por essa experiência, vendo meu mais novo tripulante jogando-se ao mar quando o barco tinha poucas rachaduras. Ele decidiu me sacrificar pelo seu bem estar. Viu seus amigos todos pulando de seus barquinhos e fez o mesmo sem pestanejar. Fiquei eu sozinha em alto mar, tentando juntar os pedaços quebrados e montar outro navio, aprontando-me para uma nova tripulação. O barco, apesar de parecer intacto, cada vez pesa mais, incapacitado de receber qualquer um a bordo. A dor, a mágoa e a solidão parecem estar ocupando cada centímetro, quase forçando-me a pular também. Tentei arranjar um novo marujo, mas a carga se torna tão grande, que outros seres preferem não se arriscar.
Agora o antigo membro pediu resgate novamente, pois o mar voltou a ser vazio. Mas a está altura, prefiro me arriscar sozinha na imensidão azul, do que voltar a contratar um marujo que foge na primeira tempestade.
