Como se algo dentro de ti estivesse fora de uso,
Partido, estragado.
Tu és um relógio quebrado,
O tempo está parado,
Mas as coisas se movem tão rápido e mudam tanto a sua volta,
Que parecem eras avançando ao invés de minutos.
Como uma flor que nasceu na estação errada,
Tu segues sozinho em frente.
E ninguém no mundo parece te entender,
Ou respeitar teus sentimentos.
Te julgam pela aparência,
E não por que realmente és.
Quando as noites frias chegam para te estremecer,
Demônio nenhum pode te aquecer,
Com promessas falsas de um calor confortável.
Ao olhar no espelho é fácil perceber o quanto teu rosto envelheceu,
E jamais quiseste isso.
Crescer é um das maiores aventuras que existe,
E não sabes se está pronto para encarar essa responsabilidade.
A noção de murchar só te leva a pensar que está um paço mais perto,
De um grande desfecho.
As lápides gélidas aguaram o dia que irão te envolver,
Em seus braços imponentes de concreto.
Um beijo fúnebre que abre os portais do submundo.
Quando chegares lá, tentes voltar,
Ao menos para me dar notícias,
A certeza de que eu não estou sozinha,
E de que a Morte usa sapatos cor de carmim,
Manchado com sangue de suas vítimas.
Dar-me-ia o nome dela?
Eu farei isso se me encontrar lá antes,
Quem sabe assim consegues driblá-la,
Mas acho que não o farás,
Pois tão triste quanto viver está vida sem amores,
É viver a eternidade inteira com o mesmo vazio no peito.
Antes ter a certeza de que um dia não acordarás mais,
E viverás na terra dos sonhos,
Do que desperto para sempre,
Acordado em um pesadelo.
Sleep tight, sweet heart.


