27/02/2010

The Death Wears Crimson Shoes

Sei como é se sentir diferente,
Como se algo dentro de ti estivesse fora de uso,
Partido, estragado.
Tu és um relógio quebrado,
O tempo está parado,
Mas as coisas se movem tão rápido e mudam tanto a sua volta,
Que parecem eras avançando ao invés de minutos.
Como uma flor que nasceu na estação errada,
Tu segues sozinho em frente.
E ninguém no mundo parece te entender,
Ou respeitar teus sentimentos.
Te julgam pela aparência,
E não por que realmente és.
Quando as noites frias chegam para te estremecer,
Demônio nenhum pode te aquecer,
Com promessas falsas de um calor confortável.
Ao olhar no espelho é fácil perceber o quanto teu rosto envelheceu,
E jamais quiseste isso.
Crescer é um das maiores aventuras que existe,
E não sabes se está pronto para encarar essa responsabilidade.
A noção de murchar só te leva a pensar que está um paço mais perto,
De um grande desfecho.
As lápides gélidas aguaram o dia que irão te envolver,
Em seus braços imponentes de concreto.
Um beijo fúnebre que abre os portais do submundo.
Quando chegares lá, tentes voltar,
Ao menos para me dar notícias,
A certeza de que eu não estou sozinha,
E de que a Morte usa sapatos cor de carmim,
Manchado com sangue de suas vítimas.
Dar-me-ia o nome dela?
Eu farei isso se me encontrar lá antes,
Quem sabe assim consegues driblá-la,
Mas acho que não o farás,
Pois tão triste quanto viver está vida sem amores,
É viver a eternidade inteira com o mesmo vazio no peito.
Antes ter a certeza de que um dia não acordarás mais,
E viverás na terra dos sonhos,
Do que desperto para sempre,
Acordado em um pesadelo.
Sleep tight, sweet heart.

10/02/2010

Dia de los enamorados/Valentine's Day

Tudo junto reunido! Dia dos namorados no Chile e nos EUA. "Saint Valentine's day". É hora de proclamar a dor no peito. Ao menos tem que dar tempo para enxer tudo de novo até dia 12 de junho... XP

Um coração partido se resumi, muitas vezes, em uma montoeira de lágrimas escorrendo dos olhos, e ranho, do resto dos poros de seu rostinho delicado.
Todo esse trabalho e lenços de papel gastos por causa de um rapaz que não soube te dar valor.
Pense bem! Respire fundo! Você ainda está aí! Viva! Aleluia irmã!  Pare de sentir pena de si mesma e siga em frente. Se um idiota não soube te dar valor, devem existir no mínimo mais 10 que dariam! Mais 15 que te amarão! Mais 20 que não são idiotas e que querem tua companhia, teu carinho e teu sorriso singelo!
Ajeite essa cara amassada, deleta de uma vez o número dele do teu celular e saia! Conheça novas pessoas! Abra teus olhos! Há tantas coisas que deixamos de ver, principalmente quando nos encontramos em um relacionamento com um cara ciumento, ou insensível, ou pior ainda, um desgraçado que te trai, e tu ainda por cima sabe, mas acha que tua vida vai afundar assim como o "amor" de vocês dois, se tu permitires um rompimento.
Acredite em mim! Achei várias vezes que ninguém teria coragem o suficiente pra me confrontar e me amar. E quando aconteceu, achei que ninguém além dele me amaria e que meu mundo se partiria no meio e um vortex gigante devoraria o resto dele. Não aconteceu. Antes de ele acabar até pensei em me afogar, dilacerar ou qualquer coisa perto de um suicídio. Quando acabou, não cheguei nem perto disso. O que aconteceu foi que manter o relacionamento chegou a um ponto insuportável e acabando com ele, quebrei as barras de uma prisão que antes achava que era um castelo, fugi da torre onde o próprio príncipe me colocou. O único dragão que me impedia de sair era meu próprio medo. A torre caiu sobre minha cabeça e achei que ficaria em coma por séculos, esperando outro príncipe vir me ajudar. Mas na verdade, dormi por alguns dias, e por dormir digo chorar incessantimente por não ter dado certo. Depois passou, o pesadelo acabou e despertei por conta própria. Não havia nada por perto! Nem anão, bruxa, dragão ou... sapo. Nada. Vazio. Um novo começo.Ótimo! Agora só precisei achar algo para preencher meu tempo e acabou. Estou feliz! Estou viva! Vou para onde quiser sem ter que justificar nada pra ninguém (exceto para meus pais...ainda não sou independente, grande coisa).

E se ninguém mais me amar, também não me importo. Claro que eu sou eu. Normalmente eu tendo a repelir as pessoas... Ao contrario de ti, aposto! Então, move on! Se precisar de ajuda para isso, é só me chamar que eu escrevo um manual, sim?

Agora posso dizer Feliz dia dos namorados sem levar uma pedrada, certo?  Feliz dia dos futuros pretendentes a "novios" dessas belezinhas que são minhas "leitoras"...husahsahusahu... simpatia é a alma do negocio....ou não... XP

05/02/2010

8 anos


              O relógio está tiquetaqueando, e o calendário, berrando para mim! É hoje que conto, quantos dias me escondi do adeus. Contei essa historia um milhão de vezes, para outras pessoas, e às vezes, contei até para mim, na frente do velho espelho do banheiro. E ele se foi. Como um pássaro fugindo do inverno, ele voou. O corpo dele não foi muito longe, já a alma, não sei dizer. Faz tantos anos, e minha mãe ainda treme quando repito vezes e mais vezes que ele morreu. Apaguei minhas estrelas, ao ver seu cadáver acima de minha cabeça. Tínhamos tombado. O MALDITO ônibus despencou no asfalto. Eu em perguntei tantas vezes “por quê?”. Até hoje, não entendo ao certo, o que havia acontecido. Como aconteceu?

              Na manhã do acidente, eu havia escovado os dentes, juntado o resto de tralhas que eu levaria para a praia, e me despedido da minha cama, dos meus ursos, dos meus bibelôs, e esperei, até a tarde, para pegarmos o ônibus que nos levaria para Santa Terezinha. Naquele fim de semana, as pessoas se perguntavam: “Por que ele está tão quieto? Parece até um anjinho!”. E, será que já não era? Às 2 da tarde nos despedimos de minha mãe na rodoviária. Minha irmã (Gabriela) e minha prima (Heike) iam se sentar juntas na nossa frente. Eu e ele tínhamos de disputar quem sentaria no banco mais perto da janela, dessa vez. Ele chegou a apostar comigo:
              - Teu banco é o 9 e o meu é o 10. O que der na janela, deu.
              Quem ganhou? Isso importa? Nessa historia, sim. Pois fui eu quem sentou no banco mais perto da janela, janela de emergência. Uns dias antes tínhamos combinado uma trégua. Queríamos nos reconciliar, afinal, irmãos sempre brigam. Quanto mais novos, mais brigas. No nosso caso, não era diferente. Mas queríamos mudar. Queríamos parar. Óbvio que nossa trégua durou, o que?! 2 horas? E, naquele dia, parecia impossível mantê-la. Primeiro, porque antes de sair, eu queria jogar no videogame dele, o que ele nunca deixava. Depois, pra completar, alguém havia estragado todo o desodorante dele, e ele pôs a culpa em mim, pra variar. Ainda por cima, eu ganhei o melhor lugar, perto da janela, o que o deixou mais irritado ainda.
              Ele baixou o braço da poltrona. Isso foi como ímã, atraiu-me para uma briguinha rotineira. Ficamos lá, disputando o braço do banco, até que ele mordeu minha mão, e se encolheu emburrado no canto mais afastado da poltrona. Depois disso, mal olhei para ele.
              Fiquei apreciando a paisagem. Estávamos quase chegando. Minha irmã estava prestes a pegar o “tijolar” para ligar, avisando de nossa chegada. Foi quando eu percebi. Olhei para dentro do ônibus, meio desorientada, talvez, deslumbrada com a paisagem, e vi que todos os passageiros começaram a se encolher, pondo os joelhos na frente do rosto.
             Em uma fração de segundos, olhei para meu irmão, ali, parado, distraído, olhando para o chão, abraçado no travesseiro, junto do exemplar do “Harry Potter e o prisioneiro de Askaban”, e me encolhi, da mesma maneira que todos os outros( Talvez seja por isso que hoje desprezo tentativas de me tornar parecida como os outros). Eu não pensei que algo de ruim pudesse acontecer, e não achei que fosse capaz de avisá-lo a tempo.
                                                        Querendo ou não, eu jamais o avisei.
             Fechei meus olhos, na esperança de que tudo acabasse logo. A primeira batida foi do lado esquerdo, em uma parada de ônibus, a segunda, foi em um velho tronco de árvore, tombado no outro lado da estrada. Em seguida, estávamos tombados no barranco.
             Abri meus olhos. Vi a janela intacta, mas solta, e os pés de meu irmão, acima de minha cabeça. Tentei me arrastar para perto para ver se ele estava bem, mas o banco dele estava caído sobre minha perna. Demorei um tempo para me desvencilhar dele, e chegar mais perto do Victor. Eu entrei em pânico. O bagageiro estava sobre sua cabeça ensangüentada. Eu estava desesperada, tentando procurar pulsação nele. A minha esperança, era encontrar vida naquele corpo. E, com toda aquela agitação, as cores se embaralhavam na minha cabeça.
             A polícia não demorou a chegar, e mandou que eu, minha irmã e minha prima, saíssem do ônibus, que depois eles tentariam salvar meu irmão. Eu ainda não enxergava muito bem quando me sentaram na grama, e depois me levaram para a ambulância.
             Lembro-me de estar escorada no ombro de minha prima, ouvindo uma garota, no outro banco da ambulância, gritar:
              - Minha mãe morreu! Eu a vi... morta! Ela não estava respirando! E o que eu vou fazer sem ela? Minha mãe morreu!!!
              Eu senti pena da garota, mas não podia fazer nada por ela. Aliás, nada por ninguém, eu tinha apenas 10 anos.
              No hospital, fiquei me gabando, para a enfermeira, que eu nunca havia estado em um hospital antes:
             - E espero que nunca mais precise, querida! – disse-me ela
             Eu e minha prima já estávamos liberadas para ir para casa. Minha irmã ia ficar em observação por um tempo, graças a uma contusão na cabeça. Mas, a principal preocupação, foi com o Victor. Ele, sem duvida alguma, era o caso mais sério entre nós quatro. Quando fomos falar com o médico, minha prima ligou para minha avó, mãe de minha mãe, para relatar o acontecimento. Minha avó esperaria meus pais estarem em casa, para contar-lhe do acidente. O medico disse:
             - Estamos em duvida, se ele sofreu um traumatismo craniano, ou apenas rasgou o lábio.
             - Traumatismo Craniano? – minha prima berrou, sem querer, alertando minha avó, no outro lado da linha
             - Ou um corte no lábio! – disse o médio, tentando acalmá-la.
             Obviamente na época, eu não entendia muito bem o que isso significava. Se era bom ou ruim. Mesmo assim, o tom de minha prima me alarmou.
             Meia-hora depois fomos para a casa da praia em Albatroz. Meu tio havia nos buscado no hospital. quando digo "nos", refiro-me a Heike e eu. Minha irmã ia ficar em observação, e pelo que sabíamos, meu irmão também.
            Ao chegarmos lá, todos vieram nos abraçar e perguntar como estávamos. Repararam também que necessitávamos de um bom banho. Mas estávamos muito apreensivas, queríamos notícias do Victor!
            Paramos na frente da televisão, esperando o noticiário das 7. O alívio inundou o coração de todos quando ouvimos a repórter relatar que duas mulheres e um HOMEM faleceram naquele acidente.Claro que sentimos pena dos parentes da Vítima. Mas o "Alemão" ainda vivia!
            Foi no que acreditamos. Fizeram-nos acreditar! Pude enfim ir tranqüila para um banho. Quando sai, avisaram-me que meu avô havia saído para visitar meus irmãos no hospital. Esperamos, não sei exatamente quanto tempo , com a ilusão de que as notícias frescas que ele traria seriam otimistas. Ele finalmente chegou, ao sair da camionete, um coro de vozes esperançosas se elevou:
           "- Como é que tá o Victor, vô?"
           A resposta não saiu como queríamos. Ele estava com os olhos cheios d'água. Gritou:
           "- Ele morreu!"
           Meu coração parou por 2 segundos. Todos caíram em lágrimas, menos eu. Ainda estava perplexa de mais para entender.
           "- O quê? Não é verdade!"
           Minha ex-empregada que tinha ido para lá veranear com o filho ajoelhou-se e disse:
           "- Nessas horas tu tens que ser forte! Ele se foi"
           Como se fosse adiantar de alguma coisa. Eu sai correndo, subi as escadas as pressas, entrei no quarto, parei em frente a minha cama e comecei a rezar:
           "- Me acorda desse pesadelo! Ele tá vivo! Me acorda! Só pode ser um pesadelo!"
          Sabe quantas vezes eu já desejei que ele morresse? Todas da boca para fora! Irmãos brigam! Isso não quer dizer que eles não se amam! Na verdade, eu o amava mais do que a mim mesma. Mais do que jamais serei capaz de me amar!
      

          À partir desse dia eu desejei nunca mais crescer! Desejei bilhões de vezes estar no lugar dele! Eu não pude chorar naquele dia, e isto me assombra até hoje. Eu tive um ataque de pânico. Não pude respirar, quanto mais produzir lágrimas de luto.

         Espero que isto seja uma lição para todas as pessoas que dizem odiar umas as outras. Só fui capaz de perceber o quanto amava ele quando o perdi, e espero que ninguém mais seja tão tolo quanto eu a esse ponto. Se tu tens um irmão ou algum parente com alguns assuntos mal resolvidos, pense, o que seria de ti sem ele. Talvez ai tu possas ter uma idéia de como eu me sinto hoje. Um peixe fora d'água. Uma águia de asa quebrada. Um urso incapaz de caçar. Um coração desprovido de amor. Um anjo caído. Uma flor sem perfume. Um vaga-lume sem luz. Com o tempo espero que esta dor se acabe. Eu não quero superar a morte dele, e sim aceitá-la. Pois superar implica em esquecer, e dele eu nunca vou esquecer!

04/02/2010

Pensamentos vazios

Uma vez que outra me pego olhando para o vazio,
Ou rezando baixinho, mesmo não tendo religião alguma.
Para quem rezo ou o que tento enxergar,
Nem eu mesma sei.
Há vezes em que tento me afogar no sal morno de minhas lágrimas,
Pensando que o choro me torna mais humana.
A questão é, eu quero ser mais humana?
O que os humanos fizeram por este mundo?
Queimaram florestas,
Assassinaram e extinguiram várias espécies,
Caçaram incessantimente a própria raça,
Buscando consolo e desculpas no orgulho, na ganância, em fortunas que com o tempo vão se desvalorizar.
A Vida, meus caros amigos, é a mais importante riqueza que temos.
Coisa que com o tempo se perde, mas que com a memória se guarda,
Matando uma só pessoa, pode afetar gerações e até mesmo impedir que elas nasçam!
Vítimas de nós mesmos todos somos,
A questão é se queremos ter mais de uma.
Se temos consciência de que afetando qualquer outra criatura, podemos afetar milhares.
Não! Não quero ser mais humana se ser humano representa tanta desgraça.
Prefiro ser considerada um animal irracional, ao menos eles permanecem inocentes e agem só pelo instinto. Matam quando REALMENTE necessitam, sem exageros, sem luxúria, sem lutas infundáveis por dinheiro... sem bilhares de coisas que os seres humanos não podem viver sem.
SEM.
Acabei de usar seis vezes esta mesma palavra? É, acho que exagero e drama também fazem parte dessa minha condição.
E que infeliz condição.
As unicas coisas que me fazem seguir em frente são as pessoas que a minha volta não matam, não destroem e aparentemente se preocupam umas com as outras. Minhas família e meus amigos, nesse caso é a quem me refiro. Aquelas que não são superficiais, que carregam sentimentos e experiências que muito desse "lixo humano" que se vê nas ruas nunca vai viver.
Muitas estrelas já caíram, e muitos pedidos a elas já foram feitos.
O meu próximo será de que a humanidade como conhecemos seja extinta!
Que um mundo novo seja fundado a partir dessas pessoas honrosas com quem convivo.
As que realmente se importam com esse planeta, que choram por uma vida extinta, por menor que ela seja.
Um mundo ideal, aonde podemos criar nossas crianças sem medo de ladrõezinhos baratos e estupradores nojentos.
Não estou pedindo de mais, se quer saber a verdade!
Não peço muito mais do que qualquer mãe preocupada com a criação de seus filhos.
Queria eu ser a mãe terra.
Queria poder castigar os que merecem e recompensar os que já sofreram tanto pela mão dos injustos.
Queria que o mundo FOSSE justo.
Mas quem disse que ele é pra ser?
Alguém metido a sábio me disse que só temos aquilo que é merecido.
Por um acaso essa pessoa vive dentro de um globo de cristal? Aonde tu atira um floco de neve pra cima e ele volta com leveza a roçar seus cabelos?
Atire uma pedra e ela cairá de volta a sua cabeça, gravidade!
Agora, ame seu filho, o crie com sabedoria, carinho e amor, para depois ele morrer num grave acidente de ônibus cujo culpado foi o motorista que dormiu no volante. Isso é justo contigo? É justo com o teu filho? Não! Não deveríamos pagar pelos erros dos outros! Se o que mandamos foi um rapaz crescido, feliz e bem amado, por que receberíamos de volta suas cinzas ou seu cadáver estraçalhado? Nem tudo que vai, volta! E isso não está certo!
Eu exijo um recomeço! Um mundo ideal desde o dia em que foi criado até o final, bilhões de anos depois! Se é que ele iria acabar um dia!
É uma pena uma pessoa só não fazer diferença! É uma pena ser uma pessoa só! É uma pena ser uma pessoa, uma humana, um ser desprezível. É uma pena, e simplesmente isso.