05/07/2020

Comum pra cacete

Toda a vez que eu vejo,
Mesmo que de relance,
Aquele nome,
Independente de a quem pertença,
Meu coração para por alguns segundos,
E minha mente sussurra:
"Merda! Ele me achou!"
Como se eu estivesse escondida,
Foragida de um relacionamento abusivo. 
Felizmente, não é o caso,
Não tenho motivo pra fugir.
E a única conclusão que chego,
É que pateticamente
Teu nome é comum pra cacete. 
O que na verdade combina
Com a tua conduta,
Tua aparência,
Tua performance física e mental,
Tudo simplório, pueril
E tragicamente: comum pra cacete.

E o mais ridículo é pensar que ages como um gato vira-lata qualquer,
Saiu da minha casa atrás de fêmeas anônimas no cio,
Achando que podia sumir por dias,
Meses,
Anos,
Pra voltar,
A hora que bem entendesse,
Esperando que tivesse a tua espera
Um prato de comida e uma mão pra te afagar. 
A verdade é que eu deveria ter te castrado quando tive a chance.

Mas gatos são seres mais evoluídos que tu,
Sabem aonde mijar,
Tomam banho todo o dia,
Não tem apego à mãe, à irmã ou até mesmo à dona,
Gostam mesmo do seu lugar,
Defendem seu espaço,
Seu colo,
Se somem, é pra não voltar,
Sem propaganda enganosa,
Sem ganja,
Sem reclamar das atuais namoradas,
Tentando despertar simpatia.
Gatos não manipulam,
Não chantageiam,
Não se fazem de vítima,
Não pedem nudes porque estão entediados,
Não te descartam porque acharam donas com aparência melhor,
Sendo assim, não são superficiais,
Falsos,
Ardilosos.

Gatos possuem apenas uma face,
E te tratam como são tratados,
Sem tirar nem pôr. 
Eles apreciam os que os amam,
Deitam no teu colo,
E se deixares,
Ronronam até o amanhecer.