30/12/2009

Não Te Deixas Levar




As nuvens congelam,
Os pássaros se aninham,
Os nomes se extinguem,
Mas tu não.
Tu não te deixas levar,
Tu rebusca teus sonhos,
Um jardim de cores, emoções e sabores.

Traga-me o saber,
Os homens de mil faces,
Teu medo de sofrer.

Escute minha voz,
Embala-te com as ondas,
Feche os olhos,
E durma.

O que te força a chorar,
É a incerteza de um amanhã mais bonito,
Mas estou aqui para provar,
Que nada nem ninguém pode levar esta tua esperança embora.
Seja a morte, ou seja o tempo,
Seja a escuridão, seja o vento,
Nada!

Assim que vou lembrar-me de ti.
Alguém alegre e destemido,
Cuja noite abraça,
E ao dia se entrelaça.

A terra te criou como um filho,
E a ela tu provas que ama,
Que tens valor, pois ela foi uma boa mãe.

Agradeço por existires,
E por teres afugentado meus fantasmas para longe.
A vida parece ter mais sentido,
E embora eu tenha desejado nunca ter nascido,
Agora agradeço por tu teres o feito.
Por estares aqui para mim,
E para tantas outras pessoas que não seriam nada sem ti.

Jamais serás esquecido, meu irmão.

23/12/2009

Romantismo?

Acreditar em sonhos quase nunca é eficiente.
Por que nos iludimos com tanta facilidade?
E mesmo assim, é pedir demais que exista alguém que possa ler teus pensamentos?
Que possa te fazer flutuar por além das nuvens?
Queremos o cara perfeito, mesmo sabendo que ele jamais existirá.
Aqueles olhos brilhantes que tocam mais de mil palavras de uma vez só.
As frases românticas, mas, de alguma forma, espontâneas, que fazem teus joelhos tremerem, e que não são decoradas de livros ou poesias na internet, mas sim, de coração.
Que homem seria capaz de ser tão sensível a ponto de usá-las dessa maneira e ao mesmo tempo não ser gay?
É lamentável pensar que o romantismo, de alguma forma, faleceu no peito dos jovens rapazes.
Que a lua não mais é oferecida em troca de um beijo com cheiro de flor e gosto de morangos recém colhidos.
Quão longe vão as preces de uma donzela por seu príncipe encantado?
Muitas delas já se extinguiram.
Os relacionamentos estão cada vez mais complexos e menos duradouros. Parece até que quanto mais rapazes uma garota beijar, mais sapos aparecerão. Ou mais fama ela ganhará.
Não que eu encoraje esse tipo de comportamento. Hoje em dia o machismo continua em alta e, na tentativa de atingir as mulheres que lutam pelos seus direitos, tem-se o descaramento de considerar o romantismo como machismo a tal ponto que os homens não o praticam mais com essa desculpa.

"- As mulheres não querem ser tratadas como iguais? Então por que muitas delas aclamam pelo romantismo? Não é uma forma de diferenciá-las de nos, de exigir um comportamento 'machista'? Não cairei no jogo delas!"

Ótimo! Sejam mais imbecis ainda! Porque os caras não podem ser românticos, e, ao mesmo tempo, podem chamar uma mulher de VADIA por ela ter agido como muitos homens que são chamados de "pegadores". É muita cara de pau mesmo! Onde andam os cupins numa hora dessas?

Eu queria achar um homem nesse mundo todo que fosse capaz de me entender e de ser sincero e REAL.
É realmente necessário dizermos o que queremos ouvir? E eles não conseguem dizer as coisas sem que elas soem como cantadas bregas?

Somos muito exigentes? Ok rapazes. Desistam então. Contentem-se com a futilidade das Barbies que vocês encontrarem pelo caminho, sim? Porque queremos mais que um "corpo" pra agarrar. Nem que tenhamos que recorrer a ciência para gerarmos seres "perfeitos". Sintam-se a vontade para ver tudo que perderam. Podem sentar-se e chupar o dedo no canto do quartinho escuro de vocês.

Isso é uma guerra, cujas batalhas, em sua maioria, não possuem vencedores. AINDA!

14/12/2009

Viagens Mil


E a lua, ali, parada.
Tão quebrada.
Parece o pedaço de um cenário esquecido,
Pendurado,
Caído.
Fica ela ali, fitando - me, matando, torturando.
Nem dou bola,
Finjo que não existe.
Mas ela, vez que outra,
Vem perturbar meu sono, com sua luz cálida.
Uma rodela de queijo muzzarela no meu sapato,
Grudando e desgrudando do meu pé.
Só porque ela foi abandonada,
Acha que eu devo pagar.
Por quê?
Não fui eu quem a deixou atirada num canto.
De certo, foi o mar.
Talvez tenha cansado do relacionamento complexo dos dois.
Só ela tinha o brilho, e só ele o refletia.
Mas o calor que sentia ela,
Ele não percebia.
À distancia o relacionamento nunca dá certo.
Ela nem o tocava, ele não a acariciava,
Somente ao longe, brilhando,exibindo-se,
O mar, tão falido,
Tão dormido,
Tão escuro quanto o céu,
Morreu ao léu.
Nada mais importa,
Pois nem estrelas trarão de volta
O romance destes dois ex-amantes.
E a lua que me deixe em paz.
Tenho eu cara de padre, para absorver seus pecados?
Sai de mim!

10/12/2009

Kill Me


Estraçalha-me, Destroça-me,
Mata-me,
Sou um monstro.

Não podes conter-me,
Descasquei tuas feridas,
E ri.

Atravessei teus pensamentos,
Feito flecha,
Feri-te.

E tu ainda tens coragem de sentir pena,
Pena de um monstro falido.
Encoraja-te a abraçar essa fera,
Por que és tão destemido?

Justo agora,
Somente eu,
Não fazes tua tarefa por quê?
Meu coração ainda pulsa!

Mata-me, sou um monstro,
Não te arrependas, por eu ser apenas uma sonhadora.
Tens o direito de acertar-me
De espalhar meu sangue pelas ruas imundas.
Sobre os destroços que eu mesma fiz.

Não quero ferir inocentes
Somente pelo fato de eu ser o que sou.
Sou cruel, mas não injusto.
E por dentro eu choro
E por ti eu imploro,
Mata-me agora,
Pois sou eu um monstro.

08/12/2009

Eu ainda aqui



Quatro cantos de um adeus vazio,
E o vermelho pulsante
Das estrelas a minha volta
Envolve-me e devora
As minhas delirantes interrogações.

Que horas será que o sol arde lá fora?
Quão longe fui atrás de um fantasma?
Quantas desilusões ainda me assolam?
Quem de nós dois mentiu primeiro?

Lua cheia e eu ainda aqui,
Parada na penumbra de lábios doces como mel
Rosados como amoras
Descarnados como os meus próprios.

Lua nova e não parti
Cuspi e cuspi várias lamúrias ensangüentadas,
Tuas vestes estão rasgadas
Por tua imoral decência.

Ela míngua e eu não me fui,
Encardi meu rosto de lama,
Esvaindo-me completamente o juízo,
E a sanidade esvaída.

Ela cresce e eu perdi,
Teu nome no vento,
Teu sorriso no relento,
Tua chama no inverno,
Tua culpa no meu inferno.

Quanto eu deixei?
Quanto já me perguntei?
Voltei e chorei amarguras por um rosto
Que não mais me pertence,
Se é que algum dia já o fez.

02/12/2009

Competir com o destino - 22 / 08 / 2006


Algo que pode marcar minha realidade para sempre.

Mas,o que será?



Estou disposta a competir com o destino,

Minha ilusão pior não fica,

Minha felicidade já não aparece mais



Uma vida acabou no inicio de meu novo mundo,

Será que outra vida perdida irá destruir tudo isso?



Estou disposta a competir com o destino,

Minha ilusão pior não fica,

Minha felicidade já não mais vai aparecer.



Critique minha discórdia,

Critique minha solidão,

Critique minha mente,

Apenas não critique o meu futuro,

Pois ele ainda é incerto.

Você ainda pode mudar certas coisas para impedir que ele exista.



Estou disposta a competir com o destino,

Minha ilusão pior não fica,

Minha felicidade já é inexistente.



Competir com o destino

E deixar o passado de lado,

Competir com o futuro

E flutuar pelo espaço,

Competir com minha incompetência

E mostrar ao mundo que meu ser é inútil.



Estou disposta a competir com o destino

Minha ilusão pior não fica,

Estou disposta a lutar,

Não pela minha felicidade que agora jaz junto de minhas lembranças,

Mas pela felicidade de todo e qualquer ser que aceite minha existência,

Sem renunciar-me sua amizade.



Estou disposta a competir com o tempo

E lá vão minhas apostas,

Não tenho mais nada a perder

A não ser os destroços que restaram de minha vida

Se eu os perder,já não farão falta,pois deixarei de existir!

24/11/2009

A Dor de Minha Mágoa


Com tanta mágoa,
Posso criar um oceano.
E tu vens, e tu levas embora
Toda a sanidade que demorei horas para juntar.

Acusei-me de todo o mal
Que um dia nos afligiu,
Mas começo a repensar,
Quem sabe, não fui todo, somente uma parte.

Corroí-me por ti,
Desgastei cada parte deste ser imundo,
Pra depois sujá-lo ainda mais,
Com tanta lama e desgosto.

Sou um brinquedo quebrado,
Um destroço esquecido.
O meu resto falido
De um amor sem compaixão.

Queria muito que desse certo,
Nossa relação de amor e ódio,
Mas no fundo, sempre soube que acabaria se rompendo,
Sabia eu, que não eras feliz como merecia.

A vida parece tão quieta
Calando-me lágrima por lágrima.
Por que não consigo falar-te?
Meu silêncio não é justo com ninguém.

Apenas te vá,
Volte com tudo que roubaste de mim,
E quando te fores de novo,
Tenha a certeza de que estou aqui,
Ainda, para ouvir teus lamentos
E Curar tuas feridas.
Como irmã, como amiga,
Sem a dor que carregou nosso amor ao fim.

22/11/2009

Pacto com os anjos - Continuação






Foi então, que algo aconteceu. Alguém apareceu, chamando minha atenção.





Um rapaz arrogante, travestido com calças preta de couro, sapatos pretos reluzentes, uma camiseta branca e uma jaqueta, também de couro. Seu cabelo era um topete, praticamente só gel. Usava óculos escuros.





De repente, os sentimentos desapareceram. Apenas um restou. O mais odioso deles. A inveja. Quão tola era minha situação. De um choramingo a uma inveja crescente. Ao menos a dor se fora. Ou parecia ter se ido.










O rapaz me olhou, com uma expressão de nojo. Que arrogância, que petulância, quem ele pensava que era? E por que todos esses sentimentos ruins vieram despertar-se nesta hora? Seria um refúgio do sofrimento? Uma anestesia? Seria o acaso?
- Que foi, verme? Por que tá me olhando desse jeito? Perdeu alguma coisa?- interrogou-me ele. - 'Cê tava chorando é? Hahahahahahaha!!!!!- rui ele, o que mais parecia um grunhido. - Que idiota!
- Não é de sua conta - desprezei-o.
- Uau! Um filhote de rato desafiando um gato. Quem diria!
- Não desafiei ninguém. deixe-me em paz, sim? - de novo um sentimento amargo.
- Ou o quê? Vai chamar a sua mamãe? - envenenou-me ele. Efetivamente, posso dizer.
Ódio. Nunca sentira tantos sentimentos desprezíveis ao mesmo tempo. Como pode? As lágrimas voltaram a me afetar os olhos. Raiva.
- Ok, garoto. Você parece mimadinho de mais pro meu gosto. Isso tem que mudar. Que tal parar de chorar e começar a agir como um de... Homem.
- Por que você me ajudaria? - indaguei.
- Quem disse que estou? - um largo sorriso expandiu-se em seu rosto.
Um vento forte soprou em direção a oeste. O rapaz virou-se para a direção contrária, parecia até buscar a fonte do acontecimento. Virei-me também. E lá longe, eu o vi. Charlie. Achei que não o veria naquela tarde. Enganei-me?
- O que fazes aqui Rex? - perguntou ele - Estas sozinho hoje. Mas eu não. - de trás de latas de lixo, 3 garotos maltrapilhos surgiram, e se postaram atrás de Charlie.
- Idiota insolente. 4 infelizes contra mim?- rugiu ele. - que venham.
- Você sabe as consequenciais, Rex. - disse um dos garotos maltrapilhos.
E todos entoaram juntos:
- Você será banido!
Banido? O que queria dizer tudo aquilo? 4 garotos, embora muito magros, podiam derrubar um delinquente, de uma maneira fácil. Seria ele tão arrogante a ponto de acarditar que os venceria? Ou tão burro?
Ele olhou enfurecido para eles. Apontou para Charlie e disse:
- Da proxima, você não me escapa. Ele vai saber. Ele vai saber!- virou-se de costas e começou a correr.
Foi bem dramático. Não havia necessidade de tudo aquilo. Os garotos não pareciam querer arranjar confusão. Mesmo assim, ele não ousou olhar para trás.
- Você está bem? - perguntou-me Charlie
- Não pareço bem?- estranhei - Até parece que ele ía me fazer mal maior do que me dar um soco pelas respostas mal-criadas.
Todos os garotos riram nervosamente. Uma situação bizarra, no mínimo. Meu pai estacionou. De início não o vi. Ainda estava um pouco atordoado pela situação. E foi ai que ele começou a buzinar. Olhei de relance, por cima de meu ombro, e tive um vislumbre encantador. Minha mãe estava sentada no banco ao lado dele. Ela abanou para mim, com um risinho. Despedi-me rapidamente dos garotos, e corri para o carro. Fiz questão de abrir a porta do banco da frente, para beijá-la no rosto, demoradamente. Sentei-me no banco comportadamente. Quando voltei a olhar para a rua, os garotos já haviam partido.
Chegando em casa não larguei do braço de minha mãe até a hora de dormir. Ela parecia cansada, mas não tive pena, estava me cobrando por sua ausência.

20/11/2009

Flores e Vaga-lumes


Não falemos mais de escuridão,
Ela pertence a outro mundo agora.
Deixe os raios de sol te iluminarem,
Tua mágoa secar, pouco a pouco.

Quão desajeitado sou,
Mas por mais inacreditável que pareça,
Não me sinto constrangido perto de ti,
Pois tu me conheces, e sabe que sou assim somente contigo.

Doce e singela,
É tu, minha bela,
Clara como a flor,
Que implantou em mim o amor.

Quem duvida de tua força,
Não a conhece como eu.
Sei que podes lutar contra qualquer medo,
Até mesmo o meu.

Podes viver em qualquer lugar,
Estamos em terra de ninguém,
Onde cantam os pássaros,
E a poesia também.

Somos um,
Como uma rosa e seu perfume.
Tu és tão bela e perfumada quanto uma,
E eu sou teu vaga-lume,
Que nas noites mais escuras,
Vem brilhar perto de ti,
Fazendo as estrelas parecerem menos distantes.

Mas que céu é impossível,
Para amor tão puro,
Quanto o que alimentamos?
A chama de mil anos, mil dias, mil paixões.

18/11/2009

Sonhos Pela Eternidade


bom, enquanto eu estou sem idéias para continuar o "Pacto com os Anjos", vai ai a história de um sonho que eu tive.


Era uma vez, dois amigos índios viajantes. Em uma de suas viagens, eles descobriram o segredo da juventude e vida eterna. Até que um dia, um deles, chamado Asa-Prateada, já idoso, ficou muito doente. O outro, Dedos-Leves não achou outra solução, se não usar o grande segredo para salvar seu amigo. Eles fizeram uma poção há muito tempo esquecida por sua tribo, conquistando juntos a eternidade ao bebê-la. Seus cabelos brancos enegreceram, a pele antes manchada e murcha se alisou, seus olhos cansados rejuvenesceram, e assim foi pelo resto de suas imortalidades.

Eles viajaram mundo a fora, sem temer lança ou flecha alguma. Mas foi uma flecha que atingiu, um dia, Asa-Prateada. A flecha do amor. Ele se apaixonou por uma bela e jovem índia da tribo do Polo Norte. Eles se uniram em sagrado matrimonio de acordo com os costumes da tribo. E, por um bom tempo, Asa-Prateada e Dedos-Leves se aquietaram em um canto do mundo.

Infelizmente a tribo tinha inimigos, e a guerra chegou no 4º ano de estadia dos jovens eternos, quando Asa-Prateada recém havia se tornado pai.
Quando a tribo foi atacada, Asa-Preteada e sua família foram encurralados na beira do mar. Não tendo para onde fugir, eles saltaram na água. Um dos inimigos saltou junto, e Asa-Prateada lutou furiosamente para defender sua mulher e seu filho. No meio da briga, sua mulher foi atirada contra uma geleira, e seu braço ficou preso. Quando o inimigo foi derrotado, Asa-Prateada nadou até ela, mas ela desistira de se salvar, estava muito fira e Asa-Prateada jamais chegaria a margem com ela a tempo.
“- Salve nosso filho, pois não quero ser responsável pela morte dele. E não ouse se culpar pela minha. Fizeste tudo que pôde. E que os Deuses permitam que minha ida ao mundo espiritual seja breve.”
“- Vai dar tudo certo, meu amor! Estamos quase chegando a margem” - ele disse, mas não tardou a notar que o coração dela não mais batia. - “Meu amor? Meu amor?”
As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Ao alcançar a margem, onde a curandeira se encontrava, ajudando outro rapaz, já não havia mais nada a ser feito. Os Deuses haviam atendido as preces da jovem.
Asa-Prateada culpou Dedos-Leves por tudo:
“- Por que me salvaste, se meu destino por tua inconsequente atitude seria amar, perder e sofrer?”
Novamente, sua imortalidade provou-se vã quanto as flechas dos sentimentos. E a culpa tomou Dedos-Leves, que se foi embora, buscando a cura de seu maior castigo, a eternidade vendo as pessoas que se ama morrer, e, ao mesmo tempo, temer por passar tal maldição a elas.
O filho de Asa-Prateada envelheceu, e morreu. Asa-Prateada poupou-o do castigo que levará duas das três mais importantes pessoas de sua vida. Sua amada e seu melhor amigo em um dia chuvoso e vazio.
Dedos-Leves jamais retornou. Muitos dizem que achou a cura, e a tomou, morrendo assim, antes de poder passá-la a seu amigo. Outros dizem que Asa-Prateada assumiu a forma de uma águia, perseguindo assim Dedos-Leves, que virou uma lebre. Mas eu acredito que Dedos-Leves ainda busca a cura.
O certo é que toda a noite, Asa-Prateada sonha com sua amada. E ela, toda a noite, sussurra em seus sonhos:
“- Quando sentires minha falta, olhe para a lua, e os Deuses levarão meu beijo a teu rosto através do sopro dos ventos.”

16/11/2009

Pacto Com os Anjos - Continação...






3. (Sem Nome)

Quando entrei, ele se despediu na soleira, e partiu. Fechei a porte e virei-me para encarar o corredor vazio. “Onde será que ele mora?” pensei, “Será perto daqui, ou será que ele fica mudando frequentemente, por não ter casa?”. Aquelas perguntas não estavam me levando a lugar algum. Abri a porta novamente, e pus a cabeça para fora, na esperança de ainda achá-lo por perto, mas ele já havia partido. Bati a porta novamente, e virei-me, mas o corredor não estava mais vazio. Minha avó estava parada na frente da porte de seu quarto, encarando-me de cara feia. - És louco menino? O que fizeste? Abrindo a porte de casa a esta hora da madrugada. Receio que terei de contar ao seu pai, sobre teus modos. Sei que estás triste e querendo ver tua mãe desesperadamente, mas não tens como chegar ao hospital, ainda mais numa hora destas. Imagina se no caminho te sequestrarem? Como tua achas que tua mãe e teu pai se sentirão? Vais dormir, agora, já, nesse instante. Volta para quarto, ou ligarei para teu pai nesse exato momento. Emburrado, voltei correndo para o quarto e fechei a porta. Ao tapar-me novamente o sono pegou-me de vez. Não tive sonho estranho nem nada do tipo. Nem ao menos sonhei. Na manhã seguinte, minha avó acordou-me e me serviu o café da manhã. Chamou um taxi que me levou a escola. A aula foi extremamente monótona, e eu só pensava em minha mãe. No termino da aula, não encontrei Charlie. Será que ele não conseguira fugir dos valentões? Ou ele resolveu mudar de quadra para pedir esmolas? A probabilidade mais terrível era de ele ter ficado brabo comigo e não voltar mais, pra me fazer companhia. Justo agora, no meu momento de solidão, de saudades e ainda, de perda. Parecia-me que mamãe não voltaria de lá, do hospital. Que meu pai voltaria para a casa, com lágrimas nos olhos e me diria que ela foi para um “lugar melhor”. Estas bobagens não me convenciam. O melhor lugar para ela, como ela mesmo dizia, era ao meu lado, sendo minha mamãe, não um pedaço de carne morta. Novamente comecei a chorar. Quem poderia me ajudar agora? Não era claro o suficiente? Ninguém podia. Ninguém iria. Ninguém queria. Eu era apenas um garoto bobo, de 10 anos. O que pensariam, ao ver uma criança dessa idade, chorando? “De certo, o brinquedo preferido dele quebrou.”

12/11/2009

Pacto Com os Anjos - Continuação


- Hey, acorde! Lucas! Acorde!!!! - ele me chacoalhava freneticamente.
- Eu não me lembro de ter te dito meu nome. - estranhei.
- Disse-me sim! Levanta!
- Não disse não! Como você sabe? - agora meu olhos estavam abertos, não sentia mais sono. As duvidas o substituíram por completo.
- Está frio! Tem que sair daqui. - Lembrei-me das conversas que tivemos, por uma fração de segundos, fiquei me perguntando, porque nunca disse meu nome. Talvez tivesse faltado oportunidade, talvez eu não quisesse dizer, talvez. Mas...
- Pare de me tratar, como se você fosse muito mais velho que eu! Está pior que a minha mãe! A minha mãe... - as lágrimas enxeram meus olhos, não pude segurá-las. Minha mãe não estava lá para mim, naquele momento. E eu não estava lá para ela. Mas como eu queria, como eu queria estar.
- Acalme-se! Foi alguma coisa que eu disse?
- Não. Minha mamãe...- solucei -  Ela está doente.... - solucei novamente-  Eu queria estar com ela, mas meu pai... -  e de novo -  meu pai não quis me levar. - as lágrimas não paravam de correr, e o medo voltou para me buscar.
- Fique calmo!!!
- Todo mundo diz q ela vai ficar bem... mas eles mentem!
- Ela vai ficar bem, por enquanto... - essa não foi a melhor resposta que ele poderia ter me dado.
- Como assim, por enquanto? - o choro me maltratava.
- Entre de uma vez, não me faça arrastá-lo. Seria muita grosseria eu invadir sua casa, mesmo que fosse para te levar para dentro. - golpe de mestre. Uma pessoa normal não poderia adivinhar que aquela era a casa de minha avó, ao menos não uma pessoa normal que me conhecia a 2 dias. Levantei-me, e a confusão do nome já era passado. Ainda assim, não resisti e lhe perguntei:
- Tu já sabe o meu nome, mas qual é o teu?
- Charlie, me chamo Charlie.

10/11/2009

Pacto Com os Anjos - Continuação


- Gostaria de ter um irmão? – ele falou, com uma careta tão esperançosa, que pude tirar apenas uma conclusão daquilo tudo.
- Ah, bem, acho que minha mãe não pode adotar você. Mas, que seria legal, seria!- disse, tentando animá-lo.
- Não estava falando de mim. Queria saber. Um irmão de verdade, de carne e osso!
- Não, minha mãe é velha de mais pra ter filhos. Ao menos, foi o que ela e papai discutiram outro dia.
- Nunca é tarde para se criar uma vida!- o tom dele era estranho.
- Ok, desculpa se te ofendi!
- Não é isso. É que, você deveria agradecer por ter uma mãe, e ela poder te dar alguém pra brincar.
- Você não tem mãe? – eu disse muito intrigado.
- Não, nem pai. – eu senti a tristeza em sua voz fraca.
- Desculpe! Eu não sabia! Bom, eu te conheço a, o que, um dia?
  - É – ele riu – Pode-se dizer que sim!
            Dessa vez, quem apareceu para me buscar foi meu pai. Ele carregava um ar de preocupação nos olhos.
   - Desculpe-me mas... - quando virei para ele, não estava mais lá, dei de ombros novamente.
   - Anda filho, estou com pressa. - disse-me meu pai.
           Entrei correndo no carro, e ao bater aporta, virei-me e perguntei:
   - O que foi papai? - ele não me olho.
   - Sua mãe está doente!
   - Doente? O que ela tem? - ele continuou a fitar o volante.
   - Não sei. Ela não quis falar comigo. mas não se preocupe. Se Deus quiser, ela ficará bem, certo? - finalmente, virou-se para mim, com um sorriso forçado. - Vamos para casa de sua avó, ficará com ela esta noite. Amanhã ela chamará um taxi para te levar a escola. Está tudo normal, só terei de ficar com sua mãe esta noite, no hospital.
          Não parecia tudo normal. Estava longe de "normal". Mas o que eu podia fazer, o que podia dizer? A resposta era clara, nada.
           Ao chegarmos na casa de vovó, ela me abraçou forte, acariciou meu rosto, olhou fundo em meus olhos e disse:
- Vai ficar tudo bem. - que novidade, outro adulto mentindo para mim. E novamente o nada tomou resposta para tudo.
            Nada. O Nada. Nenhum som, nenhuma imagem, nenhuma cor. Nada. E eu ali. Me senti muito sozinho naquela noite. Até mesmo as estrelas haviam escapado do céu, tão bem escondidas quanto a lua. Embora estivesse muito nublado, nem uma única gota de água veio bater na janela do quarto, e me desejar uma boa noite.
Minha avó dormia pesadamente, em seu quarto, do outro lado do corredor.
            Minhas meias tocaram o assoalho, e eu andei, pé por pé, até a porta da frente. Na hora, não pensei o que de errado poderia acontecer se eu a abrisse. Apenas queria sair, queria ir embora, queria fugir, saber como mamãe estava. Mas ao abri-la, andei apenas 3 passos, e me sentei na varanda. A noite estava fria, mas não fazia diferença, o meu sentimento de desolação era o maior frio que já sentira na vida. Óbvio que, naquela idade, não refletia dessa maneira, apenas sabia que pouca coisa poderia ser pior que aquilo, pior do que meu medo de perdê-la. Esqueci-me até mesmo do medo que tinha da escuridão. E ela estava presente, muito presente. A cada centímetro a minha volta, ela respirava junto comigo, e eu estava me deixando levar, o sono começou a bater em cada célula de meu corpo, martelando. Minhas pálpebras pesavam mais que meu próprio corpo, minha dificuldade de mantelas altivas era gigantesca. Então, do meio da escuridão, uma voz me puxou, recobrei a consciência, e por um minuto, estava convencido do contrário, porque, quem me chamava, e chacoalhava meu corpo, para que em despertasse, era nada mais, nada menos que Charlie. Quando ele me achou? E o mais importante, COMO ele me achou?

08/11/2009

Pacto Com os Anjos - Continuação


Enfim, deitei-me com a luz do abajur acesa, eu tinha medo do escuro, como qualquer criança “normal”, e dormi. Tive um sonho estranho, onde o garoto Charlie estava. Ele não estava aos trapos, como o vira antes. Pelo contrario, vestia um belo terno branco, mas, sujo de lama até os joelhos. Ele parecia ter corrido muito, parecia cansado, mas, ao ver-me, sorriu, e abraçou-me.
“Graças aos céus, encontrei-te, meu amigo.”
“Você está bem?”
“Agora, que te encontrei, são e salvo, estou melhor do que nunca. Posso até voar de tanta emoção!”
“Eu não entendo, do que está falando?”
“Liberdade meu irmão, liberdade!”
“O que a liberdade tem haver com você ter me achado ou não?”
“Tudo, todos os sentidos!”
O sonho parecia cada vez mais um sonho.
“Tenho de te avisar, prepara-te, pois há partes do destino que não te querem bem. Lembra-te, o que não te mata, torna-te mais forte! Acredito em ti!”
            Onde está o sentido em tudo isso? O que ele quer dizer com liberdade afinal? E por que raios ele está falando desse jeito?
          Foi então que me acordei de um pulo, quando minha mãe chamou meu nome. Já era de manhã, o sol tocava minha janela, e minha aula, em poucos minutos iria começar. Arrumei-me lentamente, sem vontade alguma de sair de casa. Foi quando chutei sem querer, o grande presente em formato esférico. Ele parecia estar com o pacote rasgado. Não totalmente aberto, mas esperando pra que eu o abrisse. Que mal teria? Abri. Era uma bola de basquete. Eu nunca havia recebido um presente tão legal quanto aquele, embora, jamais pensasse que algo como aquilo, me faria tão feliz. Minha vontade de ir para a escola, de repente aumentou, de um salto! Eu queria mostrar para meus colegas o meu presente! Eu parecia uma criança, com um brinquedo novo. Bom, de certa forma, eu era isso mesmo! Foi ai que me lembrei. “Nossa! Ela deve ter feito algo realmente ruim para me subornar desse jeito!”. Mas, não a queria incomodar. E se ela mudasse de ideia, e pegasse de volta? Fora de questão! Deixei que ela viesse me contar na hora certa. Além do mais, qualquer coisa que ela fizesse, depois daquilo, estaria perdoada por no mínimo uns três anos.
            Ela me levou até a escola, brincando comigo.
- Onde arranjou essa bola? Terei de brigar com seu pai por ter mimado tanto o meu bebêzão?
“Bebêzão” era tudo que eu merecia!
          O dia na escola foi legal, meus colegas me invejaram pela bola, e até quiseram trocar ela por um bando figurinhas bobas! No recreio, jogamos basquete, e eu fiz minha primeira cesta! Mas, fora isso, nada de mais.
            Na hora da saída, Charlie estava lá de novo. Parecia meio curioso. Cheguei à conclusão de que o meu presente tivera uma repercussão maior do que eu esperava.
- Bola legal! – disse-me
- É, ganhei da minha mãe!
- Ela te disse isso? – perguntou ele. Que diabo de pergunta era aquela?
- Ela não precisa me dizer. Ela estava tentando se redimir de tudo que é jeito, de um erro, que, alias, ela ainda não me falou sobre.
- Como sabe que é um erro?
- Pra ela me tratar daquele jeito? Só poderia ser algo péssimo. Tenho até medo de descobrir!

06/11/2009

Pacto Com os Anjos - Continuação


2. Meu amigo Charlie

Minha mãe sempre me dizia que eu era muito especial, e, é obvio que eu não levava isso literalmente a sério. Quando eu tinha por volta de uns 10 anos, eu conheci um garoto de rua. Bom, não era bem de rua, ele tinha uma casa, está bem, era mais um depósito abandonado onde ele morava, mas isso não importa, não agora.
Quando conheci Charlie, eu estava saindo da escola. Minha mãe tinha de me pegar lá as 5 e meia, o que nunca acontecia. Charlie estava sentado na calçada, cutucando seus velhos tênis, e resmungando do novo buraco que havia aberto neles. Minha curiosidade me levou a perguntar a ele, como aquilo havia acontecido. Sentei-me ao lado dele, como se eu não quisesse nada, a não ser descansar. Aparentemente, ele nem havia percebido minha presença, pois levou um susto quando comecei a conversa:
- Olá. – eu disse, num tom despreocupado. Ele não respondeu. Não deixei que isso me afetasse. Ele podia estar pensando que eu era um riquinho qualquer, o qual queria apenas incomodá-lo, ou rir da cara dele, por vê-lo naquele estado. – Como conseguiu esses rasgões enormes nos seus tênis?
- Está falando comigo? – disse ele, impressionado, ou no mínimo, apavorado.
- Isso é ruim? – perguntei – você parece meio sozinho e abatido. Não queria incomodar, só fazer-lhe companhia.
- Bom, se for assim, eu rasguei-o correndo de um bando de valentões. Eles queriam roubar o único dinheiro que ganhei com esmolas nos últimos tempos.
- Esmola?
- Não pareço ter muito mais opções além dessas, pareço? – disse-me desanimado.
- É, esqueço que não é gente grande ainda.
- Mas eu sou bem alto pra minha idade!
Nós dois rimos.
- Que idade seria essa?
- 10 anos. E você, que idade tem?
- 10 anos também. – sorri-lhe.
Foi ai que minha mãe estacionou, olhando-me preocupada, deveria estar se remoendo por dentro, por se atrasar.
- Bom, tenho que ir. – disse-lhe, um tanto quanto desanimado – estará aqui amanhã?
- Se os valentões não me pegarem até lá...
Quando entrei no carro, minha mãe em abraçou, tentando se desculpar, ela sempre fazia isso, tentando me chantagear emocionalmente, eu acho.
- Meu pobre bebê, mamãe sente tanto, mas não pude sair do escritório no horário hoje, o Dr. Albert teve mais consultas do que Papai Noel tem de cartas.
- Eu estou bem mamãe. – Ahhhhh não, lá vem ela com o beijo babado na bochecha de novo – é serio, eu até fiz um amigo novo, eu espero.
- É mesmo? E onde ele está? A mamãe dele já o buscou?
- Ele está bem ali mãe – quando me virei para indicá-lo, ele já havia partido. Dei de ombros.
Ao chegarmos em casa, minha mãe tentou me agradar de todos os jeito. Parecia que havia algo de errado, que ela não queria em contar até que me preparasse. Ela fez meu prato favorito, arroz com bife acebolado, e depois, deixou-me uma barra de chocolate na cama, e do lado dela, uma enorme bola empacotada. Mas o meu aniversário seria daqui a dois meses. Ela pirou?

04/11/2009

O começo de um livro... Pacto Com Os Anjos


1.Compreensão de anjos

Você, com certeza, já deve ter ouvido falar em “pacto com o demônio”, mas, será que já ouviu falar em pacto com anjos? Pois eu ouvi, aliás, até mesmo fiz, uma vez, há muito tempo, apesar de parecer que fazem apenas dias. Eu sempre pude vê-los, ouvi-los, senti-los. Acredito que isso tenha facilitado um pouco as coisas. Antes mesmo que pergunte, sim, eles são lindos, radiantes, maravilhosos. Possuem asas, ou será que são apenas ilusões? Não sei ao certo, mas sei que não as usam o tempo todo, só quando querem fazer algum bebê sorrir, ou quando intimidam algum espectro maligno que nos ronda. Quem disse que é preciso asas para que possam voar? Quantas vezes você já se perguntou, porque aquela criança está olhando para o nada, e sorri? Ou, como uma mãe destrambelhada, que não tem tanto jeito com crianças, as faz rir tão facilmente? Cada criança nasce com um anjo a seu lado, acompanhando seus primeiros passos, suas primeiras palavras, depois, ele se vai, se esconde perante os olhos dos pequenos. Mas, ainda estarão lá, para buscar a alma delas, quando a hora chegar. Em muitas culturas diferentes, seus nomes mudam. Por exemplo, em japonês, são chamados de Shinigami que significa “deus da morte”. Neste caso, acho que não se encaixa, pois esses anjos são “da vida”, eles acompanham a mãe, ao dar a luz, e acompanham, além de tudo, a vida dessa criança, que se torna um adolescente, e logo depois, um adulto. Se é que essa pessoa vai “durar” tanto. Mas isso não vem ao caso. Vamos voltar a minha história, está bem?

02/11/2009

Um Grito Na Eternidade!



À quem procura esperança,
Ou ao menos o que restou dela,
Tende a perder a cabeça,
Enfrentar tudo para tê-la.

Quero acordar morta,
Diante da lua escaldada,
E encarar reflexos á porta,
Da uma nova estrada.

Existe submissão
Para quem quer sobreviver,
Mas esquecendo de sua missão,
Pode também esquecer de viver.

Quero acordar morta,
Diante da lua escaldada,
E encarar reflexos á porta,
Da uma nova estrada.

Vou embarcar na ilusão
De tentar trazer de volta
A promessa de um irmão
Que me retrai suficiente revolta.

Quero despir-me de confissões
Virar estrela em constelação
Largar de vez meus velhos grilhões
Respirar o ar para um novo coração!

Quero acordar morta,
Diante da lua escaldada,
E encarar reflexos á porta,
Da uma nova estrada.

Um Grito na imensidão,
Um Grito de realidade,
Um Grito de aversão,
Um Grito na eternidade.

Quero acordar morta,
Diante da lua escaldada,
E encarar reflexos á porta,
Da uma nova estrada.

Um Grito na eternidade!

30/10/2009

O Canto Das Libélulas - 18 - 08 - 2007


Venha comigo,
Bem baixo, por entre as folhas das arvores orvalhadas.
Venha comigo,
Ouvir o gélido bater de asas das pequenas libélulas.

Parecem tão indefesas,
Quando a luz do luar toca seus jardins de rosas.

Ouça com atenção,
Estão cantando,
E que belo som!

Parece que estão tentando trazer o luar para mais perto,
Com tal som hipnotizador.

Posso ouvir o farfalhar da grama,
Por baixo de suas delicadas asas.

Tão fascinante,
Chamando-nos para abrirmos nossas asas também.

Temos tal liberdade?
Talvez seja só questão de querer.
Vamos voar?

28/10/2009

Carta de Suicídio - 14/ 11 / 2006


Estou aqui meus amigos,

Para despedir-me,
No embalo desta doce marcha fúnebre,
Digo-lhes adeus meus amigos,
Pois a vida só vale apenas com a liberdade do ser,

Fera vaidosa não aceita ser domesticada,

Todos me olham com dor,

Tudo transborda em seu portal para a alma,

Sinto muito,companheiros,

Mas a pressão sobre a ponta da arma em minha cabeça era grande demais,

Não sei se foi mal pensado,

Ou se meu inconsciente zelava por morrer,

Apenas sei que em meu mundo,

Não mais borboletas voam,

Somente corvos me rasgam a pele,

E levantam as asas,

Em saudação à minha alma,

As arvores estão caídas,

Sobre um tumulo negro,

As rosas murchas,

Sem pulso no coração,

Mesmo assim não posso deixar de ouvir as risadas,

Como se eu fosse uma pobre palhacinha infeliz,

Elas não param de martelar na minha mente,

Mente morta,

Parece até que está chovendo penas,

Penas de meus anjos irmãos,

Quero voltar para lá,

E não quero mais ficar presa em grilhões terrestres,

Pois sou livre,

Pois sou anjo,

Esta arma me separará de vocês meus amigos,
E me levará para perto de meus irmãos,

Pois sem vocês eu decaio,

Sem eles,

Eu não vivo,

Adeus meus amigos.

Não sei como uma simples bala,

Pode me distanciar de vocês,

Pois perto de vocês eu sou,

Dentro de seus corações.

26/10/2009

Breathe - 08/ 10 / 2007


Unhas lascadas,
Cigarro na mão,
Quase no fim,
Queimando as pontas dos dedos.

Mas ela não liga mais,
Não completou ao certo,
A tarefa de respirar.
Pela fantasia,
Deixou-se levar,
Em um suspiro arrogante.

Esperou o tempo cruzar em prantos,
Seu destino concreto.
Bailava feliz,
Com risadas nervosas.

Fechava os olhos,
Mas nada sentia,
Nada além da chuva,
Da chuva que caia.
Assombrada ela era,
Por um medo ferozmente desgastante.
Sorria,
Vendo tudo queimar:
Seus sonhos,
Suas alegrias,
Sua sanidade.
Tudo em chamas!

A encontramos entre penas,
Pétalas e lâminas.
Mordiscada por insetos que deveriam estar no esgoto àquela hora.
Em prantos e overdose,
Se encontrava,
E deste encontro jamais voltou,
Completada com a tarefa simples,
Porém sufocante,
De respirar.

24/10/2009

Doce sonhadora - 25/05/06


Sou uma doce sonhadora
Perdida no mundo real, duro e frio.
Esperando a noite para adormecer,
E sonhar com um amanhã feliz.

Mas, mesmo acordada eu posso sonhar.
Sonhar com seu sorriso singelo,
Com seus olhos puros.
Sonhar com sua alma,
Que há muito foi devorada pelo tempo sem coração.

Queria ao menos acreditar que aquela tragédia foi apenas um pesadelo,
Que torturou minha alma,
Carregou minhas lágrimas,
Despedaçou meu sorriso,
E partiu meu coração.

Mas é hora de encarar a verdade.
Você fugiu de meu mundo
E para ele jamais retornará.
Você dormiu nos braços da morte.

Enquanto eu; apenas acordei para a realidade
E percebi enfim
Que não mais ouvirei sua voz,
Gritando para mim,
Mandando-me abrir os olhos,
Ordenando-me a descer de cima de suas costas
E parar de fingir que estou voando.

Agora abri os olhos,
Desci de suas costas,
Fechei minhas asas,
Acordei.

22/10/2009

Fardos Existentes

Fardos existem,
Se não os enxergas,
Ao menos tente entender.

Voar é pelo que mais anseio,
Mas como posso,se a estes grilhões estou trancada?
Não peço a deus um fardo menor,
Apenas ombros mais fortes, para conseguir carregá-los.

Asas?
Já as perdi,
Quando meu príncipe deixou de me acreditar.
Como pode ele se atrever a me pedir o amor,
Se a ele já o dei todo?

Meu coração está aberto,
Como um botão que acaba de desabrochar,
Mas como posso eu me negar,
Sentir o doce toque de teus beijos?

Eu os sinto, mas parece queimar,
Como o fogo que um dia ardeu em minha alma,
Esse amor não se apagará,
A menos que o queira.

Não posso mais voar,
Minhas asas caíram.
Ou abandonas as tuas,
Ou vivas sem mim.
Pois voar já não creio,
Apenas sonho e anseio.

Amar, já amei, Amo, E sempre amarei!