Venha comigo,
Bem baixo, por entre as folhas das arvores orvalhadas.
Venha comigo,
Ouvir o gélido bater de asas das pequenas libélulas.
Parecem tão indefesas,
Quando a luz do luar toca seus jardins de rosas.
Ouça com atenção,
Estão cantando,
E que belo som!
Parece que estão tentando trazer o luar para mais perto,
Com tal som hipnotizador.
Posso ouvir o farfalhar da grama,
Por baixo de suas delicadas asas.
Tão fascinante,
Chamando-nos para abrirmos nossas asas também.
Temos tal liberdade?
Talvez seja só questão de querer.
Vamos voar?
Estou aqui meus amigos,
Para despedir-me,
No embalo desta doce marcha fúnebre,
Digo-lhes adeus meus amigos,
Pois a vida só vale apenas com a liberdade do ser,
Fera vaidosa não aceita ser domesticada,
Todos me olham com dor,
Tudo transborda em seu portal para a alma,
Sinto muito,companheiros,
Mas a pressão sobre a ponta da arma em minha cabeça era grande demais,
Não sei se foi mal pensado,
Ou se meu inconsciente zelava por morrer,
Apenas sei que em meu mundo,
Não mais borboletas voam,
Somente corvos me rasgam a pele,
E levantam as asas,
Em saudação à minha alma,
As arvores estão caídas,
Sobre um tumulo negro,
As rosas murchas,
Sem pulso no coração,
Mesmo assim não posso deixar de ouvir as risadas,
Como se eu fosse uma pobre palhacinha infeliz,
Elas não param de martelar na minha mente,
Mente morta,
Parece até que está chovendo penas,
Penas de meus anjos irmãos,
Quero voltar para lá,
E não quero mais ficar presa em grilhões terrestres,
Pois sou livre,
Pois sou anjo,
Esta arma me separará de vocês meus amigos,
E me levará para perto de meus irmãos,
Pois sem vocês eu decaio,
Sem eles,
Eu não vivo,
Adeus meus amigos.
Não sei como uma simples bala,
Pode me distanciar de vocês,
Pois perto de vocês eu sou,
Dentro de seus corações.
Unhas lascadas,
Cigarro na mão,
Quase no fim,
Queimando as pontas dos dedos.
Mas ela não liga mais,
Não completou ao certo,
A tarefa de respirar.
Pela fantasia,
Deixou-se levar,
Em um suspiro arrogante.
Esperou o tempo cruzar em prantos,
Seu destino concreto.
Bailava feliz,
Com risadas nervosas.
Fechava os olhos,
Mas nada sentia,
Nada além da chuva,
Da chuva que caia.
Assombrada ela era,
Por um medo ferozmente desgastante.
Sorria,
Vendo tudo queimar:
Seus sonhos,
Suas alegrias,
Sua sanidade.
Tudo em chamas!
A encontramos entre penas,
Pétalas e lâminas.
Mordiscada por insetos que deveriam estar no esgoto àquela hora.
Em prantos e overdose,
Se encontrava,
E deste encontro jamais voltou,
Completada com a tarefa simples,
Porém sufocante,
De respirar.
Sou uma doce sonhadora
Perdida no mundo real, duro e frio.
Esperando a noite para adormecer,
E sonhar com um amanhã feliz.
Mas, mesmo acordada eu posso sonhar.
Sonhar com seu sorriso singelo,
Com seus olhos puros.
Sonhar com sua alma,
Que há muito foi devorada pelo tempo sem coração.
Queria ao menos acreditar que aquela tragédia foi apenas um pesadelo,
Que torturou minha alma,
Carregou minhas lágrimas,
Despedaçou meu sorriso,
E partiu meu coração.
Mas é hora de encarar a verdade.
Você fugiu de meu mundo
E para ele jamais retornará.
Você dormiu nos braços da morte.
Enquanto eu; apenas acordei para a realidade
E percebi enfim
Que não mais ouvirei sua voz,
Gritando para mim,
Mandando-me abrir os olhos,
Ordenando-me a descer de cima de suas costas
E parar de fingir que estou voando.
Agora abri os olhos,
Desci de suas costas,
Fechei minhas asas,
Acordei.
Fardos existem,
Se não os enxergas,
Ao menos tente entender.
Voar é pelo que mais anseio,
Mas como posso,se a estes grilhões estou trancada?
Não peço a deus um fardo menor,
Apenas ombros mais fortes, para conseguir carregá-los.
Asas?
Já as perdi,
Quando meu príncipe deixou de me acreditar.
Como pode ele se atrever a me pedir o amor,
Se a ele já o dei todo?
Meu coração está aberto,
Como um botão que acaba de desabrochar,
Mas como posso eu me negar,
Sentir o doce toque de teus beijos?
Eu os sinto, mas parece queimar,
Como o fogo que um dia ardeu em minha alma,
Esse amor não se apagará,
A menos que o queira.
Não posso mais voar,
Minhas asas caíram.
Ou abandonas as tuas,
Ou vivas sem mim.
Pois voar já não creio,
Apenas sonho e anseio.
Amar, já amei, Amo, E sempre amarei!
Noites de pranto,
Dias sem fim.
Longe de teus braços,
Vejo-me assim:
De bruços ao chão,
Enxergo então,
Que ao morrer de uma rosa,
Nasce um botão.
Claras evidencias encontro
De que há algo, portanto,
Entre vestes e almejos.
Perco-me no ardor de teus beijos.
Rostos tampados,
Máscaras ao cair,
Quero ver-te de verdade
E não ao mentir.
Sigo tua voz
E despeço - me do real.
Ouço teus desejos
E me acordo por lágrima desleal.
Rostos tampados,
Máscaras ao cair,
Quero ver-te de verdade
E não ao mentir.
Conheço o mundo
E detesto por ele.
Chego ao fundo
Querendo rompe-lo.
Rostos tampados,
Máscaras ao cair,
Quero ver-te de verdade
E não ao mentir.
Hão de assistir
Em puro lamento
A dor que irá me corroer
Por inteira adentro.

Tu és uma arma carregada de sangue e ódio,
Por favor, não descarregue em mim.
Não sobraram nem mesmo pedaços.
Se fores atirar, que faça no peito,
Atingindo meu coração, sem dor nem compaixão.
E nas ruínas de nosso romance
Castelos e cavalos brancos,
Restam vestígios da bala.
Mais que uma simples arma,
Um vulcão em erupção.
Tuas unhas quebraram no disparo,
O pulso deslocou,
Mas continuas de pé,
Com a arma ainda voltada para meu rosto.
Se teus solução não te sufocarem,
Tua culpa o fará.
Mataste o anjo,
Que de tão longe veio,
Apenas para te abraçar,
Jurando te amar.
Nos teus lábios,
Resquícios do que poderiam ser os meus.
A tua língua roça neles,
Limpando e levando
Para dentro de ti, o que sobrou de mim.
O que fizeste?
Tens noção?
Pois se tiveres, esqueça!
Mantenha-se parada, sem fazer nada.
Cuidarei para não morrer de novo,
Por tuas mãos ensanguentadas.
Eu te abraço,
Mesmo sabendo em que te tornaras.
Aceito assim, o monstro que há em ti.
Sei que falhei tantas vezes quanto posso contar,
E me arrependo tanto mais.
Não adianta chorar agora,
Vá para casa.
Eu cuidarei da bagunça.
Deite e durma pequenina,
Ainda tens a vida pela frente, para mudar o que és.
As estrelas acordam com teu olhar singelo,
Meu pequeno sopro de ilusões,
Minha pesada âncora de realidade.
Eterna beldade de meu céu tão azul.
Deixe que as palavras te guiem,
Colérica brisa de meu mar,
Deixe-me leva-la a nossa terra,
Tão distante destes medos inúteis.
As lágrimas abrem caminho,
Do oceano para o paraíso.
Portal distinto,
Entre a torre e a donzela.
A pedra fria,
Contra tua pele morna,
Dos mais ardentes contos de fada.
Jogai-me tuas tranças, que eu te resgato,
Deste mundo cruel, de ódio e verdade.
Tocai-me glorioso anjo,
Que de minh'alma fazes luar.
Amor descente, existe apenas
Se tu acreditares.
Noiva de mil véus,
Escondeste teu rosto de meu beijo,
Tens medo do desejo,
Que possa brotar?
Vinde a mim, pequena anjinha,
Tuas asas estão em minhas mãos,
Vista-as,
Vamos juntos ao horizonte,
Buscar a rosa mais perfeita,
Para a criança bela,
Que em ti ainda vive,
E a mim pertence.
Eu e tu, pela eternidade e mais além.
Meu jovem amor,
Ardente paixão,
Meu pequeno broto de inspiração,
A espera incansável de ardor.
Anseio tanto teus lábios
Quanto desejo teu corpo.
Tuas delicadas curvas,
Serão a cova de minha virgindade.
Bela entidade,
Deusa de meus sonhos,
Por ti aclamo, chamo.
E todas as lágrimas que derramei,
São tuas, meu bem.
Venha a mim, pálida lua,
Chama de meu coração,
Cante aquela canção,
Que outrora embalou meu sono,
Doce lira da juventude.
E se o sol te apagar?
As nuvens encharcar?
E se o medo te tomar
Levar embora tuas chances de ser feliz?
“E se” Hoje acordei diferente, Tremendo.
Levantei-me gritando,
Sonhando.
E se tu vieres chorar,
Onde vou estar,
Para abraçar-te,
E pedir-te para desabafar?
Sou heroína de lugar nenhum,
Sou flor de jardim algum.
Vesti os teus lamentos,
E carreguei-os nas costas,
Mudei-os página à página de meus versos
Para que não tivesses mais o que lamuriar.
Vim andando até aqui,
Para juntar o que sobra de teus cacos.
Aqueles pedaços pequenos que foste deixando para trás,
Moldando-te em quem és agora.
Juntei-os de lembrança.
Um presente sem intenção,
São meus agora,
Assim como o teu coração.
Não há mais porque lutar,
Raiva e fúria a pulsar.
Não possuo vida ou glória,
Somente uma história,
Que já não consigo contar.
Repetidas memórias,
Cansei de apagar,
E o adeus é sempre o mesmo,
Ainda que cada momento se modifique.
Estou presa aqui há tempos,
Incontáveis noites,
Delirantes manhãs,
É tudo tão igual.
A cada folha caída em meu jardim,
O relógio está parado,
Nenhuma lembrança tem fim,
Onde está o meu amado?
Meu castelo virou areia,
Arrastado por marés,
Nem a lua cheia,
O trará de volta a meus pés.
Conchas quebradas,
Morreram as preces,
Portas fechadas,
Perder-te é o que mereces.
Gestação putrefata de medos,
Prudência errada de nações,
Aceitação de provocações ínfimas,
Revolto degradante, massante.
E o mundo, foi para onde?
E as estrelas, fugiram dos céus?
A esperança está adormecida,
Enquanto tuas bombas explodem lá fora.
Reanima tuas preces,
Talvez assim tu cresças,
E novamente reergas,
Tuas muralhas de reclusão.
Transmigra tua alma para novo ser,
Rejuvenesça ao ponto gélido de tua vida.
Não apagues, não desmembres, não te percas.
Reanima tuas preces,
Talvez assim tu cresças,
E novamente reergas,
Tuas muralhas de reclusão.
Apega-te ao futuro,
Esqueça-te ao tempo,
Virás aqui ao despertar,
E ao recostar-te, lembrarás de mim
Meu choro,
Alentado em teu peito juvenil,
Tão palpitante quanto o voo das andorinhas.
Morro em teu seio de menina,
Flor de aurora retumbante,
Que de minh'alma resplandece teu anoitecer.
Vivo o agora,
Pois o amanhã é incerto,
E ao teu lado reanimo meus doces sonhos.
Teu corpo de anjo,
Entrelaçado ao meu de moribundo.
Viestes buscar meus restos imundos
E leva-los com glória ao paraíso, meu e teu.
Teu sorriso singelo,
Carrega meu coração ao longe,
Rebuscando meu vislumbre recaído
Do sol inflamado em meu adormecer.
Tu és bela,
E em meu leito fúnebre,
Espero revê-la,
Como o amor que veio despertar-me,
De um longo sono,
Rumo a eternidade.
Mesmo se eu disser
Para parares de chorar,
Pois a vida é muito mais que a morte.
Continuarás a gritar,
Fingir que as paredes são as unicas que te escutam .
A cada noite que passas culpando-te
É um dia inteiro que tento convencer-te
De que estarei aqui para ti
Pela eternidade e além.
Não te cega com o ódio
Ele só te afundará mais nessas trevas
Que chamas de salvação
Que chamo de apreensão.
E mesmo que a noite pareça longa
Ela não durará para sempre
E ela não será solitária
Pois prometi que ficarei do teu lado
Por mais que a escuridão tente nos engolir.
A cada noite que passas culpando-te
É um dia inteiro que tento convencer-te
De que estarei aqui para ti
Pela eternidade e além.
Tu és meu pecado,
Minha sina,
Meu sacrifício.
A quem amo,
Por quem vivo.
E junto a ti,
Quero estar,
Por mais que séculos,
Para todo o sempre
Um mundo encantado,
Mas que mundo é esse?
É o mundo de Mário Quintana,
Um grande sul riograndense.
Os olhos das crianças ele fez brilhar,
Sorria ironicamente,
Mas no fundo vivia a cantar,
Fazendo de nossos sonhos uma estrela cadente.
Hora vivo de corpo,
Hora vivo em nossa mente,
Esse grande poeta,
Jamais fugirá do coração de nossa gente.
Batalhou por lágrimas,
Lutou para sustentar mil sorrisos,
Vivendo e brincando,
Com seu jeitinho inocente.
Os poetas são como anjos,
Fazendo de suas penas,
Um poema a flutuar.
Poemas são pedaços de poetas,
Poetas são pedaços de poemas,
Doces são as rimas que surgem,
Das penas desses anjos imortais.
Sabendo que nada dura para sempre,
Eu ouso duvidar,
Pois o que não seria para sempre, além do nome desses poetas,
Que revolucionaram nossa imaginação,
E não nos deixaram desistir dos nossos desejos improváveis?
Como dizia um certo poeta:
"Se as coisas são inatingíveis, ora!
Não é motivo para não querê-las,
Que triste seriam os caminhos, se não fora
a presença distante das estrelas!"