27/07/2010

Obrigado Câncer

Aos 18 anos parei de menstruar.
Sei que não é um bom jeito de começar uma história, muito menos de justificar o título por completo, mas garanto que com o tempo gasto na leitura, vocês vão começar a entender melhor a situação e talvez até gostar dela.
Quando a pausa se estendeu por alguns meses, a preocupação começou a tomar conta de minha mente. Mamãe garantia que não era nada, só o psicológico agindo para me deixar louca. Não que eu me encontrasse sã, mas mais insana ainda, diga-se de passagem.
Gravidez não poderia ser, pois acabara com meu namorado antes de parar o anticoncepcional, então fui na “doutora feminina” para avaliar minha situação.
Ela cogitou a hipótese de ser síndrome do ovário policístico, o que é algo bem comum, pois uma a cada dez mulheres sofre desta doença. Para saber com certeza se era realmente este o meu problema, tive de fazer uma ecografia, e o que me aconteceu foi extremamente triste. Descobri que não era este meu problema. Investigamos mais a fundo e o câncer se revelou, cruel e avassalador como é de praste em mulheres novas, em fase de crescimento.
A angustia, o medo e o frio sentimento de que a morte poderia se aproximar correu livre em minhas veias. Calafrios escalaram minha espinha. O que seria da minha vida? Ela se encurtaria? Teria uma cura absoluta? Tudo parecia estar contra mim. O tempo, a dor que começou me atormentar, a vontade de seguir em frente que diminuía... Era como se eu nadasse num mar cuja corrente me arrastava para longe de meu destino cada vez mais. E a fraqueza, Ahh Deus, a pior parte de todas. Ela parecia esmagar os ossos, pressionando-os no colchão, assim como as costelas no coração.
E isso tudo veio à tona, antes mesmo de começar a quimioterapia. O que seria de mim depois dela? Rasparam minha cabeça, enfiaram tubos em veias e a respiração ficava lenta. Até deram a idéia de tirar o útero fora, mas a doença parecia ter ido mais adiante do que isso. Como não percebemos antes? E que tipo de vida teria eu pós-câncer? Se é que haveria uma fase além da doença.
Todos os míseros problemas que já tive em minha vida, juntos, não se comparavam aquilo. Quão patética eu era, reclamando de barriga cheia sobre coisas como pele oleosa ou gordurinhas abdominais salientes. Já haviam me criticado, dito que era mimada, infantil, que jamais havia passado por dificuldades reais. Merecia eu um castigo somado tão grande? Refleti várias vezes sobre meus atos antes, mas aquela hora as coisas pareciam surgir do nada, brotar da terra simplesmente para esmurrar minha face uma e outra vez.
Lembrei-me de tantas coisas.
O fato de eu não acreditar em Deus, desde que meu irmão faleceu, quando eu tinha 10 anos. Sempre que eu jantava ou almoçava na casa de minha avó era a única a não fazer o sinal da cruz quando eles todos começavam a rezar. Olhava despreocupada para os lados, ou acariciava meu nariz com alguns fios de cabelo. Até mesmo, em determinadas ocasiões, pensava no porquê de ser assim, diferente. Afinal, não fui só eu que o perdi. Tanto meus avós, quanto meus pais, e meus tios também tinham sido furtados dessa maneira em relação ao pequeno Victor. Mas eu, somente eu havia perdido a fé em Deus. A família toda católica, eu atéia.
Também sou/era pessimista. Acreditava que estando sempre preparada pro pior, nada poderia me atingir, jamais estaria desprevenida, de guarda baixa. E talvez tenha sido meu pessimismo que atraiu o câncer. E de novo, foi ele que me fez pensar na morte como sendo certa. Se estava eu no fundo do poço, para onde mais poderia ir? Teria de escalar as paredes, mesmo que isso significasse que poderia resbalar e cair de novo. Eu iria morrer, não era certo quando. Poderia ocorrer em 2 meses ou 20 anos. O certo era que eu deveria viver. Minhas dúvidas quanto ao céu e ao inferno que fosse para o espaço. Se Deus realmente existisse, daria eu com a cara no muro. Pediria perdão pela minha descrença e talvez seguisse meu caminho rumo ao paraíso. Ou não. Ou haveria uma ala especial separada para mim no Limbo. Que diferença fazia enquanto e estava viva, respirando? Nenhuma!
O mundo ia acabar uma hora para todos. Não é o jeito de morrer que te torna quem és, mas o jeito com que viveste tua vida.
De certa maneira, acordei para o mundo. Abri meus olhos e enchi os pulmões de esperanças, ergui minha cabeça e mergulhei na realidade.
Pedi desculpas a todos com quem errei, desejando que elas fossem aceitas não pelas condições com que me encontrava. Sem pena, sem coragem de dizer não, esperava que eles aceitassem de verdade.
Dei-me a oportunidade de chorar, de sentir. Antes era uma pessoa fria com os outros e comigo mesma. Mudei.
Voltei a amar. Amar aquilo que fui, o meu corpo, meus sonhos, meus familiares. O luxo de poder viver de novo sem remorso caminhou junto comigo nesta jornada.
E sabe do que mais? Obrigada Câncer. Posso não durar, mas vivi mais do que havia vivido nestes 18 anos, e isso vai perdurar por toda a eternidade.
Aconteceu-me o inesperado: A Doença se tornou minha cura. Parei de temer por causas fúteis. Voltei a me emocionar. Retornei a infância onde cada momento parecia uma surpresa gostosa, que chega a dar friozinha na barriga. Só o fato de “ir aos pés” sem medicamento já é uma vitória.
O câncer não me derrotou, e sim, ajudou-me a levantar.





(Detalhe importante, como eu sei q ninguém lê a descrição do blog... a história não é verídica!  Eu tô legal, ok?)

23/07/2010

Epifanias

Tu tens boas chances de quebrar seu coração,
Mas tudo vale a pena por um momento de felicidade,
Ao entregarmos nossos corpos a está glamurosa droga,
Chamada amor.
Ela pode nos levar até os céus,
Pressionando nossas penas contra as nuvens,
Dando-nos a chance de ganharmos asas,
Como águias decolar,
A sensação celestial,
De trazer o fogo de volta a vida,
Das cinzas às chamas crepitantes.
Essa embreagante noção que a paixão nos dá,
Explica loucuras com sentimentos,
Tonturas com doçuras,
Neve com verão.
A liberdade do ser,
Preso a outro por um elo mais forte que a própria morte.
Parece insano,
Sei muito bem disso,
Mas são estes curtos períodos de satisfação, providenciados por este vício,
Que nos motivam e fazem a vida valer a pena,
Sendo ela o mais tortuosa que possa parecer.
Às vezes voamos,
Caímos,
Partimos nosso "baú de emoções",
Mas sobrevivemos,
Para novamente buscar outra pessoa que nos faça voar, cair, partir e levantar.


Como diriam os nossos amigos Beatles:

"All you need is love, love,
Love is all you need"


20/07/2010

Salt and Pray

See, my inspiration,
Each part,
Every single taste,
Of your sunny morning.

Take a deep breath,
Dive as fast,
As you can.
Like you plan.

Yesterday you said
Your dreams are haunted,
By my solitude.
So cure it, be my guide.

Will I freeze your soul,
If You come closer?
Won't the walls wake up,
While I whisper your name?

Undo the hole in your chest,
Believe we can suture it,
Sterilize the wound.
Put some salt and pray.

14/07/2010

Esqueci-me de esquecer-me

Teu nome esqueci,
Assim como o de todas as coisas vivas que dependiam de ti.
Nossa história se apagou,
E no fundo do poço meu coração mergulhou.
Cada estrela que cai,
Representa uma palavra que de minha mente sai.
Minha mente,
Tuas mentiras.
Em poças de chuva,
Afundei-me,
Nos braços da Lua,
Adormeci.
Meu corpo está cheio de vazios,
Mas nenhum providenciado por tua ausência.
A falta que fazes,
É pelo calor que meu corpo não produz sozinho.
Cobertores existem para quê?
De repente, foi melhor assim.
Quando fostes embora,
Chorei até minhas lágrimas se extinguirem,
Até meus olhos avermelharem,
Arderem como chamas alimentadas pelo vento.
Então, jurei para mim mesma,
Que não tornaria a derramar mais uma única gota se quer,
Por uma causa perdida.
O irônico é que, atualmente,
Todas parecem falidas,
Incapacitei-me de sofrer por fora.
De descascar minhas angustias,
Debulha-las como pingos de orvalho,
Ou inicios de garoas.
Sentir faz-me tão mal,
Que prefiro sentir dor,
Do que simplesmente nada.
Até mesmo um amor bobinho,
Parece-me o mais belo conto de fadas,
Perante estas vistas cansadas,
De tanto vasculhar os quintais,
A procura de um broto de esperança.
Contento-me com outros sonhos,
Na tentativa de me emocionar,
Voltar a vomitar minhas inseguranças,
Através de minhas pálpebras,
E escorrê-las por meu rosto,
Até a ponta de meu queixo,
Onde desabariam levemente pelo resto de meu corpo,
Lavando a alma que decidi resgatar,
No espelho quebrado do porão.

11/07/2010

Dialogo com Death

- Estou com tanto medo de voltar a existir. - disse ela, aos prantos.
- Então não volta! Fica aqui comigo, só por essa noite. - disse Morpheu
- Mas e amanhã? O Sol não vai deixar de brilhar, os pássaros, de cantar, teus beijos, de perturbar meu sossego. - comentou ela, elevando sua voz.
- Bem, é um risco que temos de correr. - sussurrou ele
- Não posso me fechar pro mundo sabendo que tem tantas pessoas do lado de fora, querendo entrar. - explicou ela, pressionando suas mãos contra os olhos para conter novas lágrimas que brotavam.
- Eu posso, e eu vou. Pois adentrar teu coração, só eu consigo. Enfrentar teu labirinto de espinhos, atravessar as marés de mágoa e ainda assim, chegar intacto somente para te tocar, sou eu o único capaz.
- Não me deixa esfriar. Se eu tremer, abraça-me , se eu chorar, resgata-me , se eu te amar, acorda-me.
- Acordar-te? De maneira alguma. Pois amando saberás plenamente o que é estar acordada. - disse o rapaz,  acariciando de levemente o rosto gélido da moça.
- Amar parece o mais doce sonho, como posso então ter esta delirante certeza de que um beliscão não me fará cair por terra?
- Se caires, abra os olhos, e verás que está protegida por meus braços. Estes que foram projetados para tua segurança e teu conforto, e aquecidos arduamente por tuas noites de insônia e paixão.
- Estou com medo...tanto medo de voltar a existir.
- Então não volte! Fique aqui comigo...só por essa noite.
O rei dos sonhos beijou-a... Ela que enfeitava seu belo castelo nas manhãs de primavera mortal.

Sim...e sou perturbada...e sim...eles são irmãos .-.   E SIM...pode me xingar a vontade por isso

06/07/2010

Growing Me Up

You are growing in my mind,
Like mushrooms.
Sucking my thoughts,
Leaving just one.
That you and me,
You and me are not done.

The autumn brings you here,
More and more,
Playing tricks,
Pressing me against the floor.

Are you starting the sun,
Or blowing out the fire?
A pretty sad day is ending.
I hope to see you tomorrow,
To stop the sorrow,
Stucked between my lungs.

You know,
Sometime, I miss you...
Very hard.
You make me shine,
And shy,
At the same time.
Like a abstract portrait of the reality.

Show me a easy way out,
From this insane mix,
Of feeling.
I don't know anymore,
If I hate,
Or ardently love you.

I need a fresh start,
A new first love,
Let me win your trust,
You must.
I'll not shatter you with prays,
Just say,
"I'm here for you baby, and that's for real."
That's how we seal,
Our love contract.