08/01/2010

Victor



Eu fechos os olhos e,
Às vezes, me vem a cabeça:
O teu sorriso,
O teu olhar,
A tua vida inteira...
Ao menos as partes que me incluíam.
Meu deus, como brigávamos!
Duas crianças descontroladas,
Infância fundida.
E eu, jurando que ia durar para sempre.
Como nos enganamos fácil, não?
Uma hora, lutávamos por um controle remoto,
Na outra, tu partiu.
E eu fiquei.
Juro que não era minha intenção,
Mas aconteceu.
Nos separamos por uma crueldade do destino.
Um capricho da solidão.
Hoje, quase 8 anos depois de tua morte,
Eu ainda lembro como se fosse ontem,
Da praia, do mar, da nossa rede fajuta de pescaria,
Da última onde que nos arrastou para longe.
Meu joelho machucado.
Mas eu não chorei,
Seria injusto, não?
Chorar por uma coisa tão tola,
E, um dia depois, não chorar por tua alma,
Quando levada pra tão distante.
Nosso pequeno mundinho despencou.
E tu te mudou para outro.
Chama-se 'Terra do Nunca".
A maioria de nós já ouviu falar desse lugar...
Onde ninguém envelhece,
E todos "vivem" várias aventuras.
É irônico, mas eu não fui a unica pessoa a chamar uma criança morte de "Peter Pan".
E tu és o meu!
Um dia, prometes buscar-me?
Não esqueças da Sininho!
Pois eu acredito em fadas, acredito, acredito!
Certamente estou louca para voar...
Da janela de um prédio ou do último andar de um estacionamento de shopping,
O que vier primeiro.
Brincadeira!!!
Eu vou ter que viver por nós dois agora,
Viver o que ainda tenho pela frente, e mais tudo o que tu não podes viver.
Assim, quando tu realmente vieres me buscar,
Eu vou poder te sorrir e dizer,
Que TUDO valeu a pena.

Obrigada por me trazeres por 10 anos da tua vida,
E por fazer da minha, um pouco mais completa,
Apesar do buraco que tua partida deixou.
Eu ainda estou aqui, não?
Que eu viva por merecer!

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