11/05/2015

Ódio

Cheiro amargo,
Vazio palpitante no estômago 
E a vontade silenciosa de berrar.

O grito trancado a sete chave no peito,
O choro afogado pelo amor de lhe odiar,
E a besta da vingança deixando escapar o fogo pelas ventas. 

Será que mato?
Que destruo pedaço por pedaço?
Que deixo apodrecer por completo e sofrer até o final?

Encurtar furtivamente a miséria?
Alongar o abate até o último segundo?
Esperar o animal arfar até o finado suspiro de solidão? 

Eis que se odeio, 
Lhe dou o poder de ainda fazer parte dos meus piores pensamentos.
Se ignoro,
Lhe dou o direito de sair impune.
Se o desmantelo por inteiro,
Lhe corto a dor merecida.

Apago então a luz que lhe ilumina,
E lhe entrego nas mãos da escuridão.
Ela lhe cuidará e consumirá até o último grão de sua alma.

Nenhum comentário: