Em Fevereiro completam 14 anos desde a última vez que eu o vi.
A data cinco de fevereiro de 2002 vai sempre estar marcada em um calendário mental como o dia em que meu irmão parou de crescer. Victor tornou-se Peter Pan.
Quando completaram-se 11 anos, percebi que havia vivido mais da metade da minha vida sem aquele alemão sorridente e briguento e essa distância vai aumentando cada vez mais.
Acidentes acontecem, não? Mas quando essas coisas ocorrem por negligências de terceiros, fica difícil de aceitar e impossível de não se sentir de certa forma injustiçado.
Não foi só um menino que tiraram da nossa família, mas sim o homem que ele cresceria para ser.
Jamais saberemos o que ele faria na vida, que profissão seguiria. Se seria um rapaz gentil e delicado com as moças, se seria um bom marido, um bom pai. Se ele seria um irmão coruja que me protegeria dos maus partidos.
Perdi a oportunidade de vê-lo recebendo um diploma, de vê-lo no altar, de conhecer seus filhos.
Perdi a chance de vê-lo se apaixonar e chorar pelo primeiro coração partido.
Perdi o ombro amigo que me consolaria dizendo "Aquele babaca não te merece mesmo!"
Ninguém pode trazer isso de volta.
Apesar de dizerem "com o tempo tu vai superar isso",
A coisa não funciona assim.
Tu aceita, mas nunca supera, pois com a superação vem o esquecimento.
E eu jamais vou esquecer quem ele foi e muito menos superar o fato de ele não ter podido viver o suficiente para mostrar todo o seu potencial humano.
A única certeza que tenho é de que ele seria grandioso, independente do rumo que quisesse tomar.

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