08/12/2009

Eu ainda aqui



Quatro cantos de um adeus vazio,
E o vermelho pulsante
Das estrelas a minha volta
Envolve-me e devora
As minhas delirantes interrogações.

Que horas será que o sol arde lá fora?
Quão longe fui atrás de um fantasma?
Quantas desilusões ainda me assolam?
Quem de nós dois mentiu primeiro?

Lua cheia e eu ainda aqui,
Parada na penumbra de lábios doces como mel
Rosados como amoras
Descarnados como os meus próprios.

Lua nova e não parti
Cuspi e cuspi várias lamúrias ensangüentadas,
Tuas vestes estão rasgadas
Por tua imoral decência.

Ela míngua e eu não me fui,
Encardi meu rosto de lama,
Esvaindo-me completamente o juízo,
E a sanidade esvaída.

Ela cresce e eu perdi,
Teu nome no vento,
Teu sorriso no relento,
Tua chama no inverno,
Tua culpa no meu inferno.

Quanto eu deixei?
Quanto já me perguntei?
Voltei e chorei amarguras por um rosto
Que não mais me pertence,
Se é que algum dia já o fez.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quem de nós dois mentiu primeiro?

Adorei. Uma frase tão simples, mas tão profunda. Arrepiei!!