10/07/2015

Veneno


Eu, no estado em que me encontro,
Temo que minh'alma entregue-se ao  veneno profundo da amargura,
Esconda-se do mundo para viver em exílio,
Busque a solidão como companheira eterna,
E faça do resto apenas sombras do passado esquecido.

Amedronto-me em pensar que um dia será isto tudo o que me resta, 
Um corroído âmago despedaçado de meu ser,
A metade falida que sobrou de um anjo,
Cujas asas arderam em tentação ao amanhecer.

Nem ao céu ou ao inferno pertenço,
Vago entre a terra e o limbo,
Rezando preces vazias,
Que se perdem entre tantos outros ruídos.

Eis o que me tornei,
Um cadáver vivo,
Perambulando por entre a vida e a morte,
Buscando um terreno calmo para enfim descansar.

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