Da minha própria existência,
Minha amarga resistência,
E a falta de amor próprio.
Trancada em meu quarto,
Filosofo com as paredes,
Implorando pela cura da alheia solidão,
E pelo fim do ódio ao nosso irmão.
Pois nesse mundo tão asmático,
Silencioso e problemático,
O que nos falta é uma pandemia
De respeito e empatia.
O egoísmo protegido pela máscara,
Cada vez mais se escancara,
Envenenando de forma pungente,
Devorando o que resta de gente na gente.
Como algo tão pequeno
É capaz de revelar
O tamanho do nosso veneno,
Que pode a humanidade destroçar?
Se tudo acabar?
Será doença ou as brigas
A nos desimar?
A natureza muito há de agradecer
Sendo ela a única vencedora,
Nessa batalha vindoura.
Logo a ela o mundo volta a pertencer.
___________
Em plena quarentena,
O silêncio é o que mais faz falta,
Já que a nossa ansiedade, incansável, grita a plenos pulmões,
"Protejam-se. Salvem a quem amam."
Enquanto a ignorância alheia responde em alto e bom tom:
"Eu tenho direito de ir e vir! Liberdade!!!!"
Alguns seres não têm vergonha de fingir que suas prioridades são mais importantes do que a vida em si.
E junto a manifestos e protestos,
Surgem essas frases sucesso:
"Mas os números não dizem nada",
"Morre só quem é doente",
"Mas eu li no whats..."
E placas com letras escandalosas e mensagens comoventes se espalham pelo mundo:
"Massagem é essencial!"
"Me deixa, que eu quero ir pra Dinsey!"
"Jesus é minha vacina",
"Por que os médicos podem trabalhar e eu não??"
"Vacinas são veneno, feitas de sêmen de macacos!"
Vivemos uma guerra ao terror,
Mal tramada e calculada,
Muito pouco justificada,
Cujo único objetivo é:
O dinheiro não escapar do bolso do patrão.
Brigamos por políticos,
Lutamos por ideologias furadas,
E no meio da manada frustrada,
Mostramos que somos capazes de atrocidades,
Simplesmente motivados pela vontade de a algo pertencer,
Nem que seja algo monstruoso.
Sobreviver ao isolamento parece cada vez mais fácil.
Difícil é conviver com seres humanos do gênero.
Nenhum comentário:
Postar um comentário