18/08/2010

Âmagos

Ater-me-ei a tuas desculpas,
Para apagar a luz,
Desejar que a escuridão consuma nossos corpos,
Diluindo a chama do amor retida em alma.
Que floresça a piedade divina,
Entre as rachaduras dos cadeados,
Quebrando as travas que impedem-te de decolar.
Contesta esta tirania que te é imposta,
Pois cada centímetro de dúvida derramada,
Pode corroê-la até o âmago,
E assim verás de certa forma,
Que o vilão são teus próprios passos,
Tentando dominar teu futuro,
Impregnando-o de passado.
Deixa que as ondas te carreguem,
E que o ar predomine em teus pulmões,
Que o sangue circule levemente,
Através desta ilusão.
Não há uma lágrima se quer,
Que seja pecado,
Derrubada por desgosto ou excitação.
Nem beijos desgastados,
Pelos lábios de um anjo ateu.
Afasta as sombras de teus olhos,
Rebusca o brilho das estrelas,
E incrusta em meio a tua face,
E ilumina-te perante a corte,
Mostra que és mais que um bufão,
Embora como ele não te aflige o que os outros digam,
E sabes que és muito mais do que eles pensam.
Sejam reis ou rainhas,
Duques ou duquesas,
Barões e baronesas,
Nenhum deles supera a ti.
Semi-deus da primavera,
Brisa morna de verão,
Folhas de platano no outono,
Neve doce do inverno.
Existe aqui o teu nome,
Cravado na espada da pedra,
Mordido nas pétalas de rosa,
Desenhado nas curvas delicadas das Valquirias.
És tu, Thor e Odin,
Brynhildr e Hela,
Cortesã dos precipícios,
Dama da Islândia,
Forte e desejável.
Imune e decomposta.
Trarás de volta a paixão assassinada,
Pela luz apagada,
De meus delírios ínfimos?

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