26/09/2015

Caminhos

Caminhando entre os tortuosos e escuros corredores de minha mente,
Em meio a um labirinto enorme e veemente,
Eis que em um trôpego tropeço no tamborilar de dedos.
Quem se oculta entre as sombras de meu pensamento?
Seria a razão, o medo ou quem sabe até a própria vergonha envergonhada.
Em verdade o ruído era mais semelhante a um choro baixinho, que confundiu-me com impaciência.
Entre as trevas encontrava-se uma pequena garota,
De olhos grandes, lágrimas grossas, vestido lilás e cabelos curtos de indiazinha.
Engoli uma exclamação de susto.
Mas quem diria que justo por estas bandas tão peculiares,
Meu espírito de inocência se perdera.
Ela enxugou o rosto e perguntou-me para qual lado era o caminho de casa.
Eu a peguei no colo, lhe beijei a testa e disse que a traria de volta a seu lar,
Junto ao meu lado.
Nunca mais a perderei de vista,
Pois é ela quem um dia me fez ver este mundo com curiosidade e me incentivou a acreditar fortemente na beleza que existe em todos os humanos.
O cinismo do dia a dia me fez deixá-la largar de minha mão e correr para o outro lado da estrada, onde não mais a alcancei.
Mas após tantos anos sem vê-la, percebi que a vida não é a mesma sem um pouco de inocência e coragem para acreditar na bondade alheia.

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