A noite fria carrega meu pranto
Embala em desalento meu sonho partido.
Durante minha reza exponho desejos,
De escaldar tua pele nua em beijos corrompidos.
Se a lua deixasse de ser branda,
Tomasse em seus braços cálidos o tom de sangue,
E distribuísse apenas pesadelos noite adentro,
Seria eu capaz de assombrar teu sono pesado?
Felizmente aos poucos a saudade em meu peito adormece,
Rumando devagar ao esquecimento,
Deixando apenas o vazio de um coração,
Que um dia fora como uma maçã mordida,
Fruto de uma paixão feroz e pecaminosa,
Que como uma vela em noite de fúrias,
Queimou veloz, se apagando em um suspiro.
As nuvens escuras almejam a tempestade,
Confabulando com o vento impetuoso.
Começando assim o tamborilar de gotas pesadas nas vidraças,
Regendo de pingo em pingo uma canção de ninar,
Que me arrasta ao descanso merecido,
De quem um dia amou desenfreadamente,
E se desmantelou contra às pedras do mar.

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