24/09/2015

Frida Ferida

Se o mundo visse-me aberta,
Da traqueia até o ventre,
Da cervical à lombar,
Cada pedaço recosturado,
Recolocado em seu devido lugar,
Eu seria compreendida,
Amada e acolhida?


Se a pele pálida rasgasse,
Cada fibra se rompesse,
Feito folha de papel,
Tornar-me-ia um livro repicado,
Com versos esgotados,
Repleto de palavras perdidas,
E sinceridades escondidas,
Impossível de ser lido?

E se meus lábios irrompessem em poesia,
Os cabelos emaranhassem noutras rimas,
Meus ouvidos escutassem apenas serenatas,
E meu corpo se entregasse à nuvens do sonhar,
Estaria eu sozinha em meio a tanta paixão?

Se nada mais fizesse sentido,
E a reclusão fosse antídoto,
Para curar as feridas expostas,
As lascas arrancadas,
Os beijos roubados,
As costelas trincadas,
Os corações quebrados,
E a saudade pungente,
Fugiria eu para longe,
Na busca de mim mesma?

 

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