30/06/2010

Castelo de Cartas

Subi em teu castelo de cartas,
Derrubei uma à uma,
Tuas megeras domadas,
Soltariam palavrões ao me ver passar.
Riria sem parar,
De cada uma que ousasse me desafiar.
Pois somente eu virei tua cabeça desse jeito,
Fui capaz de te tratar sem respeito.
Eu não sou escrava de ninguém,
Não luto para o mau ou para o bem,
Sei que cada pedacinho teu,
Foi colado e suturado tantas vezes quanto se pode contar.
E mesmo assim esperas que te desmonte novamente,
Que arranque tuas tripas com os dentes,
Ou cuspa nas feridas e infeccione,
Tua mente com o veneno do escorpião.
Não mandas em mim,
Eu vôo leve feito uma borboleta,
Sai do casulo que eram teus grilhões,
A mansão de pesadelo que era teu coração.
Mausoléu de assombrações,
Cada qual voltava para me atormentar,
De tempos em tempos.
Mas agora não!
Vais com Deus,
Belzebu!
Tranquei-te nos portões do abismo absoluto,
Entre a terra e a morte,
Chora tuas lamentações,
E amaldiçoa o dia em que me conheceste,
Já é tarde para se livrar da inflamação,
Chamada amor,
Perdurada em teu cadáver,
Silhuetas de Adão.

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