02/06/2010

ANAlogia do Espelho







Rugas, uma por uma,
Distorcendo a beleza externa,
Juventude apagada,
No espelho de Narciso,
O egocentrismo me encontra.

Sigo adiante no tictaquear do dia,
O tempo não deixa brechas para a mortalidade,
Apenas vestígios e areias de sua ampulheta,
Estampadas em nossos rostos.

Crescer faz parte do curto processo da vida,
Envelhecer, do longo perverso processo da vaidade.
O Trabalho consumiu meus poucos anos,
Da falta de aspereza em minha pele.

De um liso e claro mármore,
Passou a ser manchado e murcho.
A parede de meus desejos materiais,
Encolheu-se,
Trancando-me em um casulo.

Tenho de sair da frente de meu reflexo,
Pois já é tarde,
E o ponteiro não andará para trás.

Quanto tempo temos?
A resposta não esta neste espelho,
Nem no relógio de parede acima da lareira.
Mas sim em nossos corações.
E o que eles dizem?
“Não muito.”

2 comentários:

Felipe Ribeiro disse...

quem eu devo chingar? '-'

nath krein. disse...

eu gostei, e bem feito pra ele que foi pastar (: