O medo é um refúgio ao perigo.
Ele nos traz uma noção de ameaça.
Sabemos como fugir e o porque disso.
Encontrei-me como ele,
Hoje mesmo.
Andava a passos leves,
Pela calçada,
Em direção a minha casa,
A Rua deserta estava,
E, atentamente fiquei,
Ao ouvir passos atrás de mim.
Acelerei minha caminhada,
E virei meu rosto para a direção do estranho.
Era um homem alto e de pele escura.
Pensei:
"Ele não está me seguindo. É só minha mania de perseguição agindo novamente, confundindo arduamente meus sentidos."
Quando ouvi sua voz chamar:
"Ô Amiga!"
Não virei-me mais, continuei,
Fingindo que não era comigo.
E novamente ele chamou,
Apressei-me cada vez mais.
"Ô tu aí da frente! Ô amiga!"
Por que isso tinha de acontecer comigo?
Minha respiração ofegante claramente demonstrava minha ansiedade de fugir,
De estar em outro lugar, o mais distante possível.
Foi então que avistei algumas pessoas,
E meu coração disparado deu um salto,
Alivio? Não chegava a tanto,
Pois as pessoas mal prestaram atenção na cena.
Ele resmungou algo em alto e bom tom, do tipo:
"Não confia!"
Confiar? Como eu poderia confiar em alguém que não conheço, seguindo-me em uma rua quase deserta? Que tipo de imbecil o tiozinho achou que eu era? (A partir daqui a minha imaginação vai tomar conta, ok? Eu consegui fugir dele e ir pra casa...mas o que é a vida sem um pouco de ficção?)
Tomei coragem.
De que adianta correr,
Se esconder-me parecia impossível?
"O que foi, 'AMIGO'?"
"Ahh, a garotinha tomou coragem, é?"
Super-homem, tá na hora de tu aparecer e salvar a Lois Lane aqui...
Quem disse que ele apareceu?
Ofegante eu respondi:
"Tenho motivos para perder a coragem?"
"Vem aqui garotinha!"
Ele segurou-me,
Comecei a gritar!
Eu sou invisível para as pessoas comuns ou o quê?
Eles gostaram de ignorar, hein?
O Homem prensou-me contra a parede de um Funerária,
Crente de que havia conseguido prender-me terminantemente.
Em plena luz do dia, esperar que algo assim aconteça contigo,
É quase absurdo.
Imagens distorcidas começaram a tomar conta de minha mente.
Ele empalideceu,
Como se tivesse visto um fantasma,
E cai no chão.
Mulheres, de várias cores, vários tamanhos,
Mas com a mesma expressão,
Um mix de pavor e nojo,
Borbulhavam em minha mente.
Eu as vi,
Sendo violentadas,
Por este monstro miserável,
Que encontrava-se a minha frente.
Meu estômago embrulhou,
Quase vomitei.
Finalmente alguém pareceu perceber minha presença.
Ou melhor,
Notar o 'cidadão' caido no chão,
Se é que se pode chamar aquele verme dessa maneira.
Tudo ficou cada vez mais turvo.
Não podia perceber o que era real,
Ou lembrança.
Havia eu,
Sugado a essência desta coisa?
Sua força vital?
A sorte dele foi que o hospital era quase ao lado,
Da quase cena do crime.
Nunca desprezei um ser humano,
Tanto quanto a ele.
Agora temo tocar outras pessoas,
Machucá-las,
Tal como ele fez com tantas outras.
Serei eu,
Uma nova ladra de almas?
Bizarro...eu sei .-.

2 comentários:
Bizarro... mas interessante. Eu tenho uma certa mania de perseguição, sempre acho que vai acontecer alguma coisa, desde atropelamento a estupro, qualquer coisa. Então isso é quase uma viagem dentro da minha prória cabeça...
baaah, que tenso..
mas não adianta, hoje em dia é melhor ter mania de perseguição mesmo.. é mais seguro que confiar nas pessoas, infelizmente :/
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