Pacto Com os Anjos - Continação...
3. (Sem Nome)
Quando entrei, ele se despediu na soleira, e partiu. Fechei a porte e virei-me para encarar o corredor vazio. “Onde será que ele mora?” pensei, “Será perto daqui, ou será que ele fica mudando frequentemente, por não ter casa?”. Aquelas perguntas não estavam me levando a lugar algum. Abri a porta novamente, e pus a cabeça para fora, na esperança de ainda achá-lo por perto, mas ele já havia partido. Bati a porta novamente, e virei-me, mas o corredor não estava mais vazio. Minha avó estava parada na frente da porte de seu quarto, encarando-me de cara feia. - És louco menino? O que fizeste? Abrindo a porte de casa a esta hora da madrugada. Receio que terei de contar ao seu pai, sobre teus modos. Sei que estás triste e querendo ver tua mãe desesperadamente, mas não tens como chegar ao hospital, ainda mais numa hora destas. Imagina se no caminho te sequestrarem? Como tua achas que tua mãe e teu pai se sentirão? Vais dormir, agora, já, nesse instante. Volta para quarto, ou ligarei para teu pai nesse exato momento. Emburrado, voltei correndo para o quarto e fechei a porta. Ao tapar-me novamente o sono pegou-me de vez. Não tive sonho estranho nem nada do tipo. Nem ao menos sonhei. Na manhã seguinte, minha avó acordou-me e me serviu o café da manhã. Chamou um taxi que me levou a escola. A aula foi extremamente monótona, e eu só pensava em minha mãe. No termino da aula, não encontrei Charlie. Será que ele não conseguira fugir dos valentões? Ou ele resolveu mudar de quadra para pedir esmolas? A probabilidade mais terrível era de ele ter ficado brabo comigo e não voltar mais, pra me fazer companhia. Justo agora, no meu momento de solidão, de saudades e ainda, de perda. Parecia-me que mamãe não voltaria de lá, do hospital. Que meu pai voltaria para a casa, com lágrimas nos olhos e me diria que ela foi para um “lugar melhor”. Estas bobagens não me convenciam. O melhor lugar para ela, como ela mesmo dizia, era ao meu lado, sendo minha mamãe, não um pedaço de carne morta. Novamente comecei a chorar. Quem poderia me ajudar agora? Não era claro o suficiente? Ninguém podia. Ninguém iria. Ninguém queria. Eu era apenas um garoto bobo, de 10 anos. O que pensariam, ao ver uma criança dessa idade, chorando? “De certo, o brinquedo preferido dele quebrou.”
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