Sonhos Pela Eternidade
bom, enquanto eu estou sem idéias para continuar o "Pacto com os Anjos", vai ai a história de um sonho que eu tive.
Era uma vez, dois amigos índios viajantes. Em uma de suas viagens, eles descobriram o segredo da juventude e vida eterna. Até que um dia, um deles, chamado Asa-Prateada, já idoso, ficou muito doente. O outro, Dedos-Leves não achou outra solução, se não usar o grande segredo para salvar seu amigo. Eles fizeram uma poção há muito tempo esquecida por sua tribo, conquistando juntos a eternidade ao bebê-la. Seus cabelos brancos enegreceram, a pele antes manchada e murcha se alisou, seus olhos cansados rejuvenesceram, e assim foi pelo resto de suas imortalidades.
Eles viajaram mundo a fora, sem temer lança ou flecha alguma. Mas foi uma flecha que atingiu, um dia, Asa-Prateada. A flecha do amor. Ele se apaixonou por uma bela e jovem índia da tribo do Polo Norte. Eles se uniram em sagrado matrimonio de acordo com os costumes da tribo. E, por um bom tempo, Asa-Prateada e Dedos-Leves se aquietaram em um canto do mundo.
Infelizmente a tribo tinha inimigos, e a guerra chegou no 4º ano de estadia dos jovens eternos, quando Asa-Prateada recém havia se tornado pai.
Quando a tribo foi atacada, Asa-Preteada e sua família foram encurralados na beira do mar. Não tendo para onde fugir, eles saltaram na água. Um dos inimigos saltou junto, e Asa-Prateada lutou furiosamente para defender sua mulher e seu filho. No meio da briga, sua mulher foi atirada contra uma geleira, e seu braço ficou preso. Quando o inimigo foi derrotado, Asa-Prateada nadou até ela, mas ela desistira de se salvar, estava muito fira e Asa-Prateada jamais chegaria a margem com ela a tempo.
“- Salve nosso filho, pois não quero ser responsável pela morte dele. E não ouse se culpar pela minha. Fizeste tudo que pôde. E que os Deuses permitam que minha ida ao mundo espiritual seja breve.”
“- Vai dar tudo certo, meu amor! Estamos quase chegando a margem” - ele disse, mas não tardou a notar que o coração dela não mais batia. - “Meu amor? Meu amor?”
As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Ao alcançar a margem, onde a curandeira se encontrava, ajudando outro rapaz, já não havia mais nada a ser feito. Os Deuses haviam atendido as preces da jovem.
Asa-Prateada culpou Dedos-Leves por tudo:
“- Por que me salvaste, se meu destino por tua inconsequente atitude seria amar, perder e sofrer?”
Novamente, sua imortalidade provou-se vã quanto as flechas dos sentimentos. E a culpa tomou Dedos-Leves, que se foi embora, buscando a cura de seu maior castigo, a eternidade vendo as pessoas que se ama morrer, e, ao mesmo tempo, temer por passar tal maldição a elas.
O filho de Asa-Prateada envelheceu, e morreu. Asa-Prateada poupou-o do castigo que levará duas das três mais importantes pessoas de sua vida. Sua amada e seu melhor amigo em um dia chuvoso e vazio.
Dedos-Leves jamais retornou. Muitos dizem que achou a cura, e a tomou, morrendo assim, antes de poder passá-la a seu amigo. Outros dizem que Asa-Prateada assumiu a forma de uma águia, perseguindo assim Dedos-Leves, que virou uma lebre. Mas eu acredito que Dedos-Leves ainda busca a cura.
O certo é que toda a noite, Asa-Prateada sonha com sua amada. E ela, toda a noite, sussurra em seus sonhos:
“- Quando sentires minha falta, olhe para a lua, e os Deuses levarão meu beijo a teu rosto através do sopro dos ventos.”
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