- Gostaria de ter um irmão? – ele falou, com uma careta tão esperançosa, que pude tirar apenas uma conclusão daquilo tudo.
- Ah, bem, acho que minha mãe não pode adotar você. Mas, que seria legal, seria!- disse, tentando animá-lo.
- Não estava falando de mim. Queria saber. Um irmão de verdade, de carne e osso!
- Não, minha mãe é velha de mais pra ter filhos. Ao menos, foi o que ela e papai discutiram outro dia.
- Nunca é tarde para se criar uma vida!- o tom dele era estranho.
- Ok, desculpa se te ofendi!
- Não é isso. É que, você deveria agradecer por ter uma mãe, e ela poder te dar alguém pra brincar.
- Você não tem mãe? – eu disse muito intrigado.
- Não, nem pai. – eu senti a tristeza em sua voz fraca.
- Desculpe! Eu não sabia! Bom, eu te conheço a, o que, um dia?
- É – ele riu – Pode-se dizer que sim!
Dessa vez, quem apareceu para me buscar foi meu pai. Ele carregava um ar de preocupação nos olhos.
- Desculpe-me mas... - quando virei para ele, não estava mais lá, dei de ombros novamente.
- Anda filho, estou com pressa. - disse-me meu pai.
Entrei correndo no carro, e ao bater aporta, virei-me e perguntei:
- O que foi papai? - ele não me olho.
- Sua mãe está doente!
- Doente? O que ela tem? - ele continuou a fitar o volante.
- Não sei. Ela não quis falar comigo. mas não se preocupe. Se Deus quiser, ela ficará bem, certo? - finalmente, virou-se para mim, com um sorriso forçado. - Vamos para casa de sua avó, ficará com ela esta noite. Amanhã ela chamará um taxi para te levar a escola. Está tudo normal, só terei de ficar com sua mãe esta noite, no hospital.
Não parecia tudo normal. Estava longe de "normal". Mas o que eu podia fazer, o que podia dizer? A resposta era clara, nada.
Ao chegarmos na casa de vovó, ela me abraçou forte, acariciou meu rosto, olhou fundo em meus olhos e disse:
- Vai ficar tudo bem. - que novidade, outro adulto mentindo para mim. E novamente o nada tomou resposta para tudo.
Nada. O Nada. Nenhum som, nenhuma imagem, nenhuma cor. Nada. E eu ali. Me senti muito sozinho naquela noite. Até mesmo as estrelas haviam escapado do céu, tão bem escondidas quanto a lua. Embora estivesse muito nublado, nem uma única gota de água veio bater na janela do quarto, e me desejar uma boa noite.
Minha avó dormia pesadamente, em seu quarto, do outro lado do corredor.
Minhas meias tocaram o assoalho, e eu andei, pé por pé, até a porta da frente. Na hora, não pensei o que de errado poderia acontecer se eu a abrisse. Apenas queria sair, queria ir embora, queria fugir, saber como mamãe estava. Mas ao abri-la, andei apenas 3 passos, e me sentei na varanda. A noite estava fria, mas não fazia diferença, o meu sentimento de desolação era o maior frio que já sentira na vida. Óbvio que, naquela idade, não refletia dessa maneira, apenas sabia que pouca coisa poderia ser pior que aquilo, pior do que meu medo de perdê-la. Esqueci-me até mesmo do medo que tinha da escuridão. E ela estava presente, muito presente. A cada centímetro a minha volta, ela respirava junto comigo, e eu estava me deixando levar, o sono começou a bater em cada célula de meu corpo, martelando. Minhas pálpebras pesavam mais que meu próprio corpo, minha dificuldade de mantelas altivas era gigantesca. Então, do meio da escuridão, uma voz me puxou, recobrei a consciência, e por um minuto, estava convencido do contrário, porque, quem me chamava, e chacoalhava meu corpo, para que em despertasse, era nada mais, nada menos que Charlie. Quando ele me achou? E o mais importante, COMO ele me achou?
- Anda filho, estou com pressa. - disse-me meu pai.
Entrei correndo no carro, e ao bater aporta, virei-me e perguntei:
- O que foi papai? - ele não me olho.
- Sua mãe está doente!
- Doente? O que ela tem? - ele continuou a fitar o volante.
- Não sei. Ela não quis falar comigo. mas não se preocupe. Se Deus quiser, ela ficará bem, certo? - finalmente, virou-se para mim, com um sorriso forçado. - Vamos para casa de sua avó, ficará com ela esta noite. Amanhã ela chamará um taxi para te levar a escola. Está tudo normal, só terei de ficar com sua mãe esta noite, no hospital.
Não parecia tudo normal. Estava longe de "normal". Mas o que eu podia fazer, o que podia dizer? A resposta era clara, nada.
Ao chegarmos na casa de vovó, ela me abraçou forte, acariciou meu rosto, olhou fundo em meus olhos e disse:
- Vai ficar tudo bem. - que novidade, outro adulto mentindo para mim. E novamente o nada tomou resposta para tudo.
Nada. O Nada. Nenhum som, nenhuma imagem, nenhuma cor. Nada. E eu ali. Me senti muito sozinho naquela noite. Até mesmo as estrelas haviam escapado do céu, tão bem escondidas quanto a lua. Embora estivesse muito nublado, nem uma única gota de água veio bater na janela do quarto, e me desejar uma boa noite.
Minha avó dormia pesadamente, em seu quarto, do outro lado do corredor.
Minhas meias tocaram o assoalho, e eu andei, pé por pé, até a porta da frente. Na hora, não pensei o que de errado poderia acontecer se eu a abrisse. Apenas queria sair, queria ir embora, queria fugir, saber como mamãe estava. Mas ao abri-la, andei apenas 3 passos, e me sentei na varanda. A noite estava fria, mas não fazia diferença, o meu sentimento de desolação era o maior frio que já sentira na vida. Óbvio que, naquela idade, não refletia dessa maneira, apenas sabia que pouca coisa poderia ser pior que aquilo, pior do que meu medo de perdê-la. Esqueci-me até mesmo do medo que tinha da escuridão. E ela estava presente, muito presente. A cada centímetro a minha volta, ela respirava junto comigo, e eu estava me deixando levar, o sono começou a bater em cada célula de meu corpo, martelando. Minhas pálpebras pesavam mais que meu próprio corpo, minha dificuldade de mantelas altivas era gigantesca. Então, do meio da escuridão, uma voz me puxou, recobrei a consciência, e por um minuto, estava convencido do contrário, porque, quem me chamava, e chacoalhava meu corpo, para que em despertasse, era nada mais, nada menos que Charlie. Quando ele me achou? E o mais importante, COMO ele me achou?

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